"Meninos vestem azul e meninas vestem rosa" foi pura "resistência", mas saiba mais sobre ideologia de gênero

Toda a celeuma gerada em torno da frase "meninos vestem azul e meninas vestem rosa", iniciada após fala da Ministra Damares Alves, é resultado do puro desejo de fazer oposição e resistência ao novo governo. Não há, qualquer objetivo de diálogo e oposição de ideias, muito menos luta por direitos.

Uma boa parte dos internautas que viralizaram, junto com celebridades lacradoras, fotos e hashtags em oposição à frase da Ministra, são em geral petistas, ex-petistas e eleitores de Haddad e Ciro Gomes que se utilizaram da polêmica de forma nonsense, como meio para sair da espiral do silêncio em que se encontram e fazer oposição sem precisar argumentar de forma lógica. Sequer conseguem explicar ao que eles se opõem.

Seriam críticas de possível interpretação absurda de que a ministra desejaria proibir determinadas cores de roupa?

Ou desejavam aludir e rotular que a Ministra seja machista ou transfóbica?

Nada disso fica claro, evidentemente, porque não há nada que indique isso. O importante realmente é lacrar e ser "resistência" ao novo governo. Como não puderam atribuir de forma minimamente coerente uma acusação ou argumentar contra a Ministra, restou viralizar fotos e hashtags.

Creio que são poucos os que de fato são apoiadores das teorias de gênero, pois sequer conhecem a ideologia. Quando muito, "pensam" que é um meio milagroso de acabar com os preconceitos e limpar toda mancha do pecado original na espécie humana. Contudo, é uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre o tema.

O que a ministra transmite com a frase, por metáfora, é o mesmo que o Presidente Jair Bolsonaro havia deixado claro em seu discurso de posse: acabou o incentivo governamental para a ideologia de gênero nas escolas.

Uma pequena aula sobre o que é a ideologia de gênero pode ser lida no artigo da Dra. Regina Beatriz da Silva, de 9 de janeiro, no Estadão (Blog Fausto Macedo). Como destaca a especialista, na ideologia de gênero usa-se o conceito de que gênero seja um "sentimento" e "uma experiência profunda", exclusivo de cada pessoa, que pode corresponder ou não ao sexo de nascimento, incluindo "senso pessoal do corpo" e pode ser "escolhido livremente".

Nesse contexto, ideólogos do gênero "propõe que as crianças sejam educadas sem sexo definido, para que possam optar por seu gênero", buscando uma "neutralidade sexual".

Isso está bem avançado em alguns países, onde os conservadores têm tido pouco espaço e ferramentas para barrar a ideologia, como é o caso do Canadá e Suécia.

Ideologia de gênero no Canadá e Suécia

O site Voice of Europe traz uma entrevista de uma ex-professora de uma escola da linha do gênero neutro na Suécia. Trata-se de uma escola jardim de infância onde meninos são forçados a se vestirem como meninas.

Nessa e em outras escolas, os professores trocaram os pronomes pessoais "He" e "She" (ele e ela), por "Hen", um pronome importado da Finlândia, que é usado para terceira pessoa do singular sem gênero. Livros didáticos e brincadeiras também são invertidas entre meninos e meninas, de forma simulada, ou poderíamos dizer, forçada, visando desconstruir o gênero e encontrar a "neutralidade sexual".

Uma professora da Suécia, frustrada, confessa que as estratégias não estão dando muito certo, em entrevista ao The New York Times:

“quando as crianças estão desenhando… Elas, desenham meninas com maquiagem longos cílios… é muito claro que são meninas”

Outros casos mais absurdos também são vistos quando os pais se engajam nessa ideologia. No Canadá, um casal resolveu criar seu filho sem gênero de modo que nem os avós sabem o sexo biológico da criança. Na verdade, parece mais um teatro, porque basta olhar para a foto da criança para ver que é um menino. Nessa família, tudo é construído no entorno da criança para fazê-la pensar que o fato de ser biologicamente menino não quer dizer nada e o gênero será escolhido a qualquer momento da vida e sem vínculo com o fator biológico.

Ideologia de gênero movimenta milhões de dólares

Outro elemento certamente ignorado pelos lacradores e a "resistência", é que a ideologia de gênero faz parte de uma estratégia muito bem financiada em todo o mundo: uma verdadeira engenharia social global.

Em um levantamento que fiz no ano passado, junto às bases de dados financeiras de grandes fundações internacionais, verifiquei que foram investidos nada menos do que 430 milhões de dólares entre 2006 e 2018, em escala global, em ONGs e projetos para levantar a temática do gênero. Só no Brasil, foram 13 milhões apurados. Mas certamente a cifra é maior porque o levantamento se restringiu às maiores ou mais famosas fundações, como Fundação Ford,Oak, Bill e Melinda Gates e Open Society, mas existem outras.

Marlon Derosa

Co-fundador do site e da Revista Estudos Nacionais. Pesquisador atualmente dedicado em temas como bioética, saúde pública, direitos humanos e geopolítica. É pós-graduado em administração e gestão de projetos. Organizador e coautor do livro Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades (2018).

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