O que se escondia por trás da fraternal amizade entre Delfim Netto e Lula

Em 2008 Delfim Netto, o todo poderoso ministro do milagre econômico do regime militar, chamou Lula de "o único economista que presta no Brasil".

Em 2012 creditou a Lula e somente a Lula "o grande avanço social e econômico do Brasil".

Em 2017 Lula foi flagrado ao telefone com Alexandrino Alencar, da Odebrecht (hoje preso), reclamando da possível retirada de sigilo de contratos do BNDES. Alexandrino tratou de tranquilizar o molusco, fazendo referência a um artigo assinado por Delfim Netto que seria publicado "dando o cacete" dia seguinte no Valor Econômico.

No artigo, que foi de fato publicado, Delfim propalava o seguinte:

“é abusivo dizer que o BNDES é uma ‘caixa preta’ e é erro grave afirmar que deve dar publicidade às minúcias das suas operações, o que, obviamente, revelaria detalhes dos contratos de seus clientes que seriam preciosas informações para nossos concorrentes e, portanto, contra o Brasil”.

Delfim defendia o sigilo de operações em Angola, Cuba e Venezuela.

Em março de 2018, Lula mais uma vez foi flagrado num grampo afirmando que não podia permitir que Delfim fosse indiciado. Porque amizade verdadeira é assim: um amigo protegendo o outro desinteressadamente.

Hoje, com a delação de Antonio Palocci, sabemos que Lula pediu R$ 15 milhões de propina a Delfim por conta da atuação deste na formação do consórcio vencedor de Belo Monte, dos quais R$ 4 milhões chegaram a ser efetivamente pagos.

Só podemos adivinhar quantos milhões mais não foram pagos pela "consultoria" prestada pelo "professor" em outros projetos petistas.

Durante anos lemos artigos de Antonio Delfim Netto na imprensa imolando o que lhe restava de credibilidade na defesa dos governos do PT, imaginando de onde viria a improvável e tardia amizade entre o Ministro da Fazenda de Costa e Silva, que assinou o AI-5, e o sindicalista pelego de São Bernardo que organizava greves gerais e foi preso pela ditadura.

Aparentemente, não existe no mundo nenhuma desavença ideológica que alguns milhões não possam resolver.

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