A serenidade

 “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso”. (Gaston Bachelard)

Será que há quem não queira serenidade? Duvido! Serenidade é a qualidade ou estado de quem é sereno, tranqüilo, sossegado, suave, puro, calmo, de espírito plácido.
Serenidade resume como deve ser nossa relação com nossos limites. O mundo é cheio de “nós” e “nãos”. E nós somos cheios de impossibilidades! A vida é uma “infinita descontinuidade”. Não sabemos exatamente o que está acontecendo no mundo de bom e nem de mau. Mesmo ao nosso redor vamos nos perdendo aos poucos. Apenas um exemplo, nossos ancestrais quem foram? Como era o nome do seu bisavô? O que ele fazia mesmo? E pensar que ele tinha sonhos, espiritualidade e alegrava-se com suas conquistas! Mas ele foi literalmente esquecido. Nem ossos! Que coisa hein?
Tudo tem uma finitude! São os nossos limites para viver. Essa expectativa cria ansiedades e o antídoto para não vivermos como “insatisfeitos crônicos convictos” é ter sabedoria para respeitar os limites que se apresentam.
Existe uma oração apropriada e imperdível para estas situações. É a Oração da Serenidade, atribuída a São Francisco de Assis: “Dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso entender e nem mudar. Coragem para entender e mudar as que posso. Sabedoria para distinguir umas das outras”. Em outras palavras, tem horas que saber parar é um mal menor para evitar um mal maior. Insistir só vai causar desgaste, insatisfação. Aceitar obstáculos é exercitar a serenidade, até porque existe uma vontade superior à nossa em tudo o que acontece.
Vamos conhecer agora a sabedoria de Salomão: Davi, rei de Israel deixou seu filho Salomão como sucessor do seu reino. (900 A.C). Certa noite Deus apareceu a Salomão e disse: “Pede-me o que quiseres e dar-te-ei!” Salomão respondeu: “Ó Deus tu foste extremamente bondoso para com meu pai Davi e deste-me o reino de Israel. Fizeste-me Rei sobre um povo tão numeroso. Dá-me agora “sabedoria e conhecimento” para governar com competência. Porque quem seria capaz de dirigir sozinho uma tão grande nação como esta?” 
Deus retorquiu-lhe: “Sendo assim, que o teu maior desejo é seres capaz de servir este povo e que não pretendes nem riquezas, nem honras pessoais, nem me pedistes que amaldiçoasse os teus inimigos, nem tão pouco que te desse longa vida, antes, pediste sabedoria e conhecimento para guiar competentemente o meu povo, por isso te concedo o que me pediste e ainda te darei tantas riquezas, prosperidade e honras como nenhum outro rei teria tido antes de ti! Não haverá também depois de ti outro semelhante em toda a terra”.

Bela lição bíblica a nos dizer que aqueles que fazem do poder e da autoridade condição “sine-qua-non” para ser feliz, são os que mais se enganam. 
Sem conhecimento e sabedoria não se chega ao prazer. Percebemos isso quando fazemos uma releitura da vida, e constatamos que são esses os “menos normais” que ficam reféns da vida, quando deveriam controlá-la!
Só as árvores crescem sem sair do lugar. Serenidade exige crescer e sair da zona de conforto. Isto só é possível com sabedoria para pensar, falar e fazer. Quanto mais sabedoria melhor a qualidade da  longevidade. A vida é assim mesmo, de repente a gente aparece na vida de alguém. De repente alguém está esperando por nós. De repente, tudo desaparece. Permanece a esperança e a sabedoria. Concluímos que são mil momentos dos quais fugimos. Fugimos do nosso passado, de nós mesmos para os devaneios que não cessam. Todos querem inventar sentidos novos para o passado. Sempre fugindo para dar sentido à nossa presença no mundo, para sermos nós mesmos, mesmo que tudo tenha sabor de errância!

Reflexão – Lembrar-se quem foram seus heróis na vida é um modo de lembrar-se quem você é. Mas afinal, por que a gente não teve mais intimidade com eles? Como seria bom que o exemplo de Salomão nos impactasse a viver com mais dignidade e inteligência. Não são esses os propósitos imexíveis, para os quais Deus nos criou?
Não precisamos ultrapassar nossos limites para ser feliz. Basta viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que conseguirmos. O nome disto? Sabedoria ou aceitação, mas para os que preferem Serenidade.  Imperdível! Será que há quem duvide disso?
Antônio Valdo A. Rodrigues
Serra Negra – SP
valdo11rodrigues@yahoo.com.br



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da Redação

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