Se não for para palanque, velórios não interessam Lula

Em 2004 morreu João Inácio. Luis Inácio, seu irmão, não foi ao velório.

Em 2005 morreu Odair Góis. Também seu irmão, Luis Inácio novamente preferiu ficar em casa.

Em 2002, em plena campanha, Luis Inácio chorou copiosamente para as câmeras de Duda Mendonça. Falava da morte da primeira mulher, falecida 30 anos antes (a despeito do fato de o luto, quando do falecimento, ter sido espantosamente curto - dois anos após a morte de Lourdes, Luis Inácio já estava com família engatilhada ao lado de Marisa Letícia).

Em 2017, também em campanha, transformou o velório da segunda mulher, Marisa Letícia, em comício. E não teve o menor pudor em transformar o cadáver em arma contra seus adversários políticos:

“Na verdade, Marisa morreu triste. Porque a canalhice que fizeram com ela… E a imbecilidade e a maldade que fizeram com ela… Eu vou dedicar… Eu tenho 71 anos, não sei quando Deus me levará, acho que vou viver muito porque eu quero provar que os facínoras que levantaram leviandade com a Marisa tenham, um dia, a humildade de pedir desculpas a ela”.

Em 2018, Lula transformou sua prisão num circo, com direito a missa campal, showmício e utilização de sindicalistas como escudos humanos.

Agora, coincidentemente num momento em que tenta a todo custo vender uma certa narrativa (como em 2002 e 2017), Luis Inácio cria um inesperado amor fraternal pelo irmão Vavá, morto há dois dias. Interessantemente, a defesa já impetrava HC no TRF4 antes mesmo de a juíza Carolina Lebbos apreciar o pedido de salvo conduto, como se tivesse a certeza de que seria denegado, e estivesse mais preocupada em pautar o noticiário do que efetivamente obter a saída de seu cliente.

Quaisquer razões humanitárias podem ser lembradas nessa hora, mas Lula não é mais propriamente humano, como ele mesmo disse.

Está mais para um ególatra narcisista viciado em poder.

Foto: Gadú Ananauê

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