MST cria Escola de Artes: será o próximo Michelangelo um militante da extrema esquerda?

Longe dos tempos áureos nos quais era recebido quase com status de Chefe de Estado pelos governos FHC, Lula e Dilma, o MST celebra 35 anos de história cada vez mais decadente e agora sem o respaldo que havia em outras épocas. O ato político em homenagem ao Movimento, ocorrido em 26 de janeiro deste ano, reuniu cerca de 400 pessoas entre parlamentares, amigos e representantes de movimentos populares, quando se reafirmou a disposição dos Sem Terra na construção da resistência e no projeto de Reforma Agrária Popular. Conforme imagem abaixo, nenhum ato é verdadeiramente de esquerda sem um “Lula Livre” como grito de guerra:

(MST celebra 35 anos com “Lula Livre” e mensagens de resistência)

A novidade, no entanto, é que agora o MST terá Escola de Artes. A ideia é aprofundar o debate em torno do projeto de Reforma Agrária Popular como Programa Cultural do Movimento. A primeira edição ocorreu no Nordeste, contando com a participação de 80 militantes – sim, tão somente 80 participantes - vindos dos diversos acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária dos estados da região.

O evento foi realizado em Campina Grande, no estado da Paraíba, momento em que ocorreu “imersão formativa com as linguagens artísticas”. A ideia é ainda potencializar a arte como ferramenta de resistência e luta na atual conjuntura e na construção da Reforma Agrária Popular.

Conforme destacado no site do Movimento, Jailma Serafim, da coordenação da Escola de Artes e do Coletivo de Cultura do MST, a Escola de Artes no Nordeste é mais um passo na radicalidade do programa cultural do MST:

“Nossa Escola é uma ferramenta que pretende preparar nossa militância na disputa ideológica para esse tempo histórico, além de impulsionar a construção de um processo de articulação do MST com os artistas e grupos populares de nossa região”.

Ao longo das atividades, foram realizadas oficinas técnicas nas áreas das artes plásticas, música, teatro, danças populares, audiovisual e literatura. Uma das participantes declarou:

“Além do conhecimento político e ideológico, a Escola de Artes nos proporciona conhecer e descobrir ainda mais a cultura do Nordeste. Nesses dez dias descobrimos outros jeitos, sabores e maneiras diversas de lidar com o cotidiano em cada realidade, conhecendo diversas pessoas, com várias habilidades e repleta de conteúdo político”.

Será que o próximo Michelangelo sairá das escolas de artes do MST? No entanto, pelo menos até agora, nada além de danças, batuques e discursos políticos foram produzidos pelo Movimento.

(Imagem: Cadu Souza/MST)
(Imagem: Facebook MST)
da Redação

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