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Resumo da entrevista de Bebianno à Jovem Pan: um papo de comadres

Resumo da entrevista de Gustavo Bebianno ao programa Os Pingos nos Is: um papo de comadres. Só faltou servirem bolo de fubá e chazinho enquanto ele contava sua história triste no ombro amigo dos apresentadores.

Bebianno é um cacique de partido nanico que achou a galinha dos ovos de ouro. Representa a velha política rejeitada pelas urnas. Mais atrapalhou do que ajudou na campanha, assim como a cúpula da sigla. Haja vista as denúncias que estão aparecendo sobre formação das coligações, negociação de candidaturas e destinação do fundo partidário.

Resumindo, ele era um estorvo. Tanto que foi colocado em uma secretaria sem nenhum poder efetivo. Sua função tinha apenas o simbolismo do cargo, que só foi útil para servir de fonte à mídia, que agora o retrata como se fosse um "importante articulador do 1º escalão" injustiçado pelo presidente "envenenado" pelo filhinho mimado.

É compreensível que essa narrativa de que Bolsonaro é um pai que não impõe limite aos filhos seja facilmente aceita até por simpatizantes do governo. E quase todos acham que Bolsonaro terá problemas porque passa a impressão de não ser confiável, pois a qualquer momento pode "ceder aos caprichos" de Carlos. Acontece que:

1) As ações de Carlos não são caprichos. Ele é um dos principais responsáveis pela estratégia que venceu o sistema, contra todas as expectativas. Trata-lo como se fosse apenas um filho mimado é uma forma burra da mídia não reconhecer a derrota. Mas acho ótimo que seja tratado dessa forma, assim pode surpreender novamente se tiver mais cartas na manga.

2) Bolsonaro mostra que não é confiável só para quem tem medo de transparência. Essa lavação de roupa suja em rede social é uma forma de fazer política que deixa todos desesperados: políticos porque não podem propor nada indecoroso, com receio de serem expostos; comentaristas porque o povo não precisa mais deles se não forem capazes de apresentar algo relevante.

3) Problemas sempre vão existir. Afinal, o sistema político é o mesmo. Por isso, ao agir dessa maneira aparentemente inadequada, Bolsonaro obriga adversários e aliados de ocasião a jogarem no campo dele, em vez de aceitar as regras dos sistema. Nesse campo, ele ainda escolhe a hora que vai chutar a bola, estando o goleiro preparado ou não.

Segue o jogo. Segue o choro. E dá-lhe bolo de fubá. Felipe Moura Brasil e Augusto Nunes são muito bons, mas precisam se cuidar, porque bolo demais engorda e prejudica a agilidade.

(Texto de Herbert Passos Neto, publicado em seu Facebook nesta terça-feira, 19.).

Veja na íntegra a entrevista completa do ex-ministro Gustavo Bibianno à Jovem Pan:

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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