Como o PT fez de Ciro Gomes um “otário” e o momento em que Ciro acusou o “golpe”

Em meados de agosto de 2018 diziam:

"O PT acabou e quem vai para o segundo turno é Ciro Gomes e Bolsonaro."

Eu ponderava:

- Calma... O PT é gigante! Mesmo desconfiados com a corrupção do seu maior líder, os eleitores petistas ainda preferem votar no PT do que em qualquer outro nome; logo o LULA e o ZÉ DIRCEU reagem e nos surpreendem com uma estratégia genial, eles sempre tem um coelho na cartola!".

DITO e FEITO! Na semana seguinte eles tomaram 3 atitudes decisivas e assertivas:

1° lançaram Manuela d'Ávila oficialmente.
2° montaram um grupo "Mulheres contra o Bolsonaro"
3° espalharam a ideia de que "as mulheres iriam salvar o Brasil do fascismo".

Foi tão genial que eles conseguiram convencer a vítima principal do ataque a apoiar o movimento que iria derrubá-lo.

O Bolsonaro era a isca, mas o alvo era Ciro!

Nenhum assessor do Ciro Gomes foi capaz de dizer à ele "use o #EleNao com parcimônia, porque talvez o "ELE" seja VOCÊ!

Ciro ajudou a espalhar a hashtag que o tiraria da disputa do segundo turno e reconheceu isso em outubro, quando chamou de "equívoco" as manifestações contra Bolsonaro.

Eu, como estrategista política, bati palmas aos estrategistas do PT!

Onde estavam os estrategistas do PDT que não disseram:

"Ciro, não há votos suficientes para levar dois candidatos da esquerda para o segundo turno, será você ou Haddad contra Bolsonaro!
Tuas eleitoras estão sendo convencidas à focar num único nome para não dividirem votos. Você tem registros de atitudes machistas e agressivas, elas darão preferência para quem "luta como uma menina" as mulheres da esquerda tendem a apoiar Manu."

PDT estava sem estrategistas capazes de prever o próximo movimento do tabuleiro.

Já não bastasse o xeque mate do PT, começaram a chover pesquisas onde Bolsonaro perderia até para Marina Silva! Nesse cenário os eleitores se deixam manipular pelos institutos de pesquisa, mais uma vez, e simplesmente racham.

Não era mais esquerda contra direita, era muito mais do que isso.

De um lado tínhamos a direita debochando dos "especialistas", contestando os dados apresentados na TV, as pesquisas, os métodos, os números, eles deram aula para doutores, fizeram o papel de jornalistas e usaram suas redes sociais para desmascarar as mentiras divulgadas pela mídia formal.

Do outro tínhamos a esquerda defendendo os institutos de pesquisas, defendendo a credibilidade da Globo e da imprensa que tentou manipular a realidade.

Entendem que as posições se inverteram?

Pela primeira vez na vida as tias do Whatsapp eram mais revolucionárias do que as jovens feministas do cabelo roxo e piercing de argola no nariz.

Os "conservadores" queriam mudar tudo!

Os "revolucionários" queriam deixar tudo como estava.

Tem como não amar o jogo político?

Ninguém "é", todo mundo "está"!

Raquel Brugnera

Pós Graduando em Comunicação Eleitoral, Estratégia e Marketing Político - Universidade Estácio de Sá - RJ.

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