Direita e esquerda, progressistas e conservadores, a incoerência semântica do novo milênio

A segunda década do novo milênio vem comprovando aquilo que previram há anos, Audous Huxley e George Orwell em seus livros Admirável Mundo Novo e 1984, respectivamente. O estonteante avanço da tecnologia, transformadora por sua própria natureza, com o monitoramento individual e coletivo, deixa-nos atônitos e receosos com o que ainda há por vir, tornando-nos reféns sabe-se lá de quem! Esses tempos modernos advindos com o novo milênio, digamos, de Orwell e Huxley, leva à sociedade a necessidade de mudanças comportamentais, forçando-a a novas posturas tanto individual como coletivamente.

Passamos recentemente por uma ruidosa eleição, talvez a mais complicada de todas da nossa história republicana, mostrando-nos que tudo que aprendemos até então foi colocado no passado, ressuscitando a velha e carcomida dicotomia da esquerda versus direita.

Paradigmas foram definitivamente quebrados, uma tentativa de homicídio de um candidato entrou para a nossa história por seu ineditismo, colocações políticas de ambos os lados mais confundiam que indicavam posições político partidárias. Progressistas e conservadores foi a forma encontrada para tornar mais palatáveis tanto esquerda como direita.

O que vimos foi a tradicional esquerda brasileira, apresentando-se como vanguardista, progressista, mesmo na defesa peremptória e massificada de velhas práticas, pensamentos e ideias sabidamente distantes daquilo que pretendia fazer-nos crer. Tendo à frente o discurso do decadente Socialismo, porta de entrada para regimes de exceção como vimos e estamos vendo muito próximo de nós, a esquerda não empolgou por conta da sua história à frente dos destinos da nação nos últimos 16 anos.

A tentativa de demonização da direita, os conservadores, não deu certo, mais pelo próprio histórico dos que a acusavam de retrógrados que por suas qualidades. O resultado está aí e a correção de rumo do país ainda demandará muito tempo para recolocar-nos na rota do crescimento.

De tudo isso ficou claro que após décadas de termos colocado a Politica como protagonista nacional, erramos e demoramos para descobrir esse erro. O protagonismo nacional deve ser exercido pela Economia, pois é ela que gera investimentos, empregos e riqueza.

Esquerda progressista e direita conservadora é a grande incoerência semântica do novo milênio.

(Texto de Paulo Marenga. Arquiteto e Urbanista)

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