O sindicato de pelegos e o fim da farra

Antes eram conhecidos como sindicatos de ladrões, retratados no filme que conta a história de Johnny Friendly, gangster e diretor do sindicato dos operários das docas de Nova York e assassino confesso de um concorrente com medo dele delatar a corrupção existente no sindicato para a Comissão do Crime, outra associação corrupta e também criminosa.

Magistralmente interpretado por Marlon Brando, o filme narra a história desse assassinato mostrando o medo dos trabalhadores com os capangas de Johnny e a luta de Brando para derrubar a liderança sindical da época. Dirigido por Elia Kazan, o filme foi considerado como o envolvimento da Máfia com os sindicatos americanos, muito embora alguns o tenham como a luta de um homem contra o “poder” instituído pelos sindicatos e pelos seus dirigentes.

No Brasil, os líderes sindicais não são conhecidos como gângsteres, mas sim como pelegos, termo que significa, na gíria operária, capacho, espécie de gente dominada por outras para fazer coisas contra a sua própria vontade. Tampouco são conhecidos como ladrões, com exceção de uma minoria, que, embora dominante, não chega a generalizar.

A palavra pelego, a partir do seu sentido figurado, teve início na década de 1930, com o surgimento da Lei da Sindicalização. Na época os pelegos passaram a ser conhecidos como os líderes sindicais a serviço do governo, servindo como elo de ligação entre este e as entidades. Na ditadura passaram a atuar contra os trabalhadores, servindo-se dos sindicatos como instrumento de subsistência para si e suas famílias, ganhando sem trabalhar.

Com a chegada do PT ao poder, essas entidades se multiplicaram tanto que passamos a ser considerado uma república sindicalista, graças ao esquema montado por Zé Dirceu e alguns notórios pelegos, com apoio de gente como Roberto Jefferson, do PTB e Paulinho da Força, este último conhecido como o maior pelego do país depois de Zé Dirceu.

Em um país com as relações trabalhistas e sindicais fortemente controladas pelo estado – reflexo do fascismo de Getúlio Vargas, criador da Lei da Sindicalização (1931) e da CLT (1943) – a criação de sindicatos aumentou continuamente nos últimos anos.

De acordo com o Ministério do Trabalho, temos neste momento 16720 sindicatos com registro ativo, sendo 11478 de trabalhadores e 5242 de empregadores, fora confederações, federações e centrais sindicais. Somente em 2017 foram abertos 289 novos sindicatos no país.

Esse excessivo volume de entidades pelegas era sustentado pela “contribuição” (imposto) sindical, recolhida obrigatoriamente pelos empregadores no mês de janeiro e pelos trabalhadores no mês de abril de cada ano – e extinta pela reforma trabalhista que entrou em vigor no dia 11 de novembro de 2016. Os sindicatos receberam nesse ano R$ 3,5 bilhões dos trabalhadores. Em 2017, a soma chegou a R$ 3,54 bilhões.

Com a chegada de Bolsonaro ao poder uma enorme esperança surgiu. O pacote anticrime de Sérgio Moro e a medida provisória que aboliu a contribuição sindical obrigatória podem inibir a corrupção e destruir de vez a república sindicalista.

Segundo o site Auditoria Cidadã de Dívida, a dívida pública federal brasileira fechou 2018 com R$ 5,52 trilhões de prejuízo, apesar do pagamento de R$ 1,066 trilhão de juros no mesmo ano. A cada dia pagamos R$ 2,9 bilhões da dívida. Se não fizermos nada, essa dívida vai explodir.

Bolsonaro fez bem em acabar com a farra dos sindicatos e com a absurda renda da pelegada. De agora em diante, caso essa decisão seja mantida, a pelegada, para sobreviver, só tem um jeito: trabalhar.

Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

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