A Marinha do Brasil sob o comando de Ilques Barbosa Júnior

Ilques Barbosa Júnior, almirante de esquadra da Marinha do Brasil, nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, uma cidade sem mar. O ano foi 1954, e lá viveu até os 13 anos. Devido aos seus inúmeros afazeres e às condições de sua própria existência como um homem do mar, confessa que não a visita assiduamente, muito embora jamais a tenha esquecido. Sempre que pode expressa imensa saudade do tempo de sua juventude.

Em Ribeirão estudou no Grupo Escolar Dr. Guimarães Júnior, na Escola Estadual Cônego Barros e no Colégio Santos Dumont.

“Quando penso na cidade, lembro da minha infância, meus pais, irmãos, irmãs, tios, tias, primos, primas e em minha avó; esta, muito importante na minha formação”.

Costumeiramente revela sua paixão pelo Leão do Norte.

“Sinto saudades dos jogos no estádio do Comercial Futebol Clube, meu primeiro time, e também dos momentos de infância vividos em Ribeirão com a minha família; de andar de bicicleta em toda a cidade, de sair da minha casa, na Rua Campos Sales, e ir para o Colégio Santos Dumont, na Vila Tibério e, ao final do dia, retornar para casa. Uma vez, inclusive, caí no rio, no Ribeirão Preto. Saudades, também, das férias em Batatais e em São Vicente”.

Mas o que teria feito um menino, que mora no interior e está distante a quase 400 km do mar, ser um marinheiro?

A resposta está no seu ingresso na Escola Naval nos idos de 1973. Seu pai e alguns familiares eram militares de outras Forças e, de alguma forma, isso o influenciou.

“Sempre gostei de estudar história militar e lembro que, quando pequeno, uma das minhas brincadeiras preferidas era uma espécie de ‘jogo de guerra’. Apesar da distância da cidade em que cresci com o mar, a decisão pela Marinha surgiu devido às possibilidades de viagens e o estilo de vida dos marinheiros, algo que me atraía. Os meus pais também foram importantes nessa escolha, principalmente, a minha mãe. Saudades!”.

Casado com D. Leoniza Neves de Aguiar Barbosa, tem duas filhas: Larissa e Christina.

Sua biografia é extensa, incapaz de ser descrita em um único artigo. Entretanto, pode-se dizer que foi Guarda-Marinha – 13 de dezembro de 1976, Segundo-Tenente – 31 de agosto de 1977, Primeiro-Tenente – 30 de abril de 1979, Capitão-Tenente – 31 de agosto de 1981, Capitão de Corveta – 31 de agosto de 1987, Capitão de Fragata – 25 de dezembro de 1993, Capitão de Mar e Guerra – 25 de dezembro de 1999, Contra-Almirante – 31 de março de 2007, Vice-Almirante – 31 de julho de 2010 e Almirante de Esquadra – 25 de novembro de 2014.

Ao assumir o comando da Marinha, Ilques Barbosa Júnior afirmou estar muito feliz e honrado por ter sido designado para comandá-la. Em seu discurso de posse disse que “é inevitável lembrar de cada passo até aqui, de Ribeirão Preto, meus pais, meu ingresso na Escola Naval e o apoio constante da minha esposa e filhas. Essas lembranças são extremamente gratificantes e me impulsionam a cumprir essa missão da melhor maneira possível. A meta principal será cumprir os planos em vigor, como o Programa Nuclear da Marinha, o Projeto de Desenvolvimento de Submarinos e o Projeto das Corvetas Classe Tamandaré, dentre os principais Programas Estratégicos da Marinha, além do fortalecimento da Mentalidade Marítima”.

Esse extraordinário oficial possui diversos cursos, como o de Aperfeiçoamento de Comunicações para Oficiais, Curso Básico da Escola de Guerra Naval, Curso de Comando e Estado-Maior na Escola de Guerra Naval, Curso Superior de Guerra Naval – Escola de Guerra Naval, Curso Regular de Estado Mayor da Academia de Guerra Naval – Armada do Chile, Curso de Política e Estratégia Marítimas – Escola de Guerra Naval, Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia – Escola Superior de Guerra.

Entre suas condecorações podemos destacar a Ordem do Mérito da Defesa (Grau de Grande Oficial), Ordem do Mérito Naval (Grau de Grã-Cruz), Ordem do Mérito Militar (Grau de Grande Oficial), Ordem do Mérito Aeronáutico (Grau de Grande Oficial), Ordem de Rio Branco (Grau de Grã-Cruz), Ordem do Mérito Judiciário Militar (Grau de Grande Oficial), Medalha da Vitória, Medalha Militar (Ouro com Passador de Platina), Medalha Mérito “Tamandaré”, Medalha Mérito Marinheiro (Quatro Âncoras), Medalha do Pacificador, Medalha Mérito “Santos Dumont”, Medalha Marechal Cordeiro de Farias, Medalha “Minerva” – Armada do Chile, Ordem do Mérito do Corpo de Bombeiros Militar – RJ e Medalha “Pro Memória” – Polônia.

Desempenhou inúmeras missões, entre as quais se destacam o Comando-em-Chefe da Esquadra (Ajudante de Ordens), Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha (Ajudante de Ordens), Aviso de Apoio Costeiro “Almirante Hess” (Comandante), Contratorpedeiro “Pernambuco” (Imediato), Rebocador de Alto-Mar “Tritão” (Comandante), Comando da Força de Fragatas (Oficial de Operações), Estado-Maior da Armada (Chefe de Gabinete), Gabinete do Comandante da Marinha (Oficial de Gabinete), Navio-Escola “Brasil” (Comandante), Comando de Operações Navais (Ajudante do Subchefe de Operações), Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (Comandante), Centro de Adestramento “Almirante Marques de Leão” (Comandante), Escola Superior de Guerra (Assistente da Marinha), Comando da 2ª Divisão da Esquadra (Comandante), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha (Secretário), Diretoria de Portos e Costas (Diretor), Comando do 1º Distrito Naval (Comandante), Comando-em-Chefe da Esquadra (Comandante em Chefe), Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha (Diretor-Geral) e Estado-Maior da Armada (CEMA).

Diante desse vasto currículo foi indicado pelo Ministro da Defesa, General Fernando Azevedo e Silva, para comandar a Marinha. A indicação foi aprovada pelo presidente Jair Bolsonaro e aplaudida pelos seus colegas de farda, sabendo que a Marinha, sob o seu comando, protegerá nossas riquezas e cuidará da nossa gente, bem como dos “verdes mares do nosso Brasil”.

Baltazar Miranda Saraiva

Desembargador. Presidente da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) e membro da Comissão de Igualdade do TJBA, do Conselho da Magistratura TJBA, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), da Sociedade Amigos da Marinha (SOAMAR) e Vice-Presidente Social, Cultural e Esportivo da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES).

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