Trump, Bolsonaro e o socialismo: quem tem inimigos imaginários? (veja o vídeo)

“O truque mais esperto do Diabo é convencer-nos de que ele não existe” - Charles Baudelaire

Um detalhe que talvez tenha passado despercebido no encontro entre Trump e Bolsonaro foi uma pergunta pouco antes do encerramento. O jornalista disse a Bolsonaro que vários políticos do partido Democrata que podem disputar a presidência dos EUA em 2020 estão abraçando idéias de esquerda, e perguntou: “Se um socialista vencer, isso prejudicará as relações com o Brasil?”

A resposta de Bolsonaro não vem ao caso. O interessante é que ninguém achou a pergunta absurda, nem acusou o jornalista de criar inimigos imaginários. Sabem por quê? Porque socialistas disputando o poder e influenciando a política nos EUA é algo que já existe há muito tempo, ainda que agora eles sejam mais numerosos e publicamente assumidos.

No último dia 03/03, a Jovem Pan publicou uma reportagem sobre uma pesquisa do Instituto Gallup, onde a maioria dos democratas consultados nos EUA (51%) se declararam de esquerda. Nos anos 90, metade dos democratas se declaravam moderados, e a outra metade se dividia entre conservadores e esquerdistas. Os movimentos de esquerda nos EUA são ainda mais antigos, mas deixemos isso para outro texto (ou veja / ouça no vídeo ao final deste texto).

O que nos importa agora é perceber como a esquerda brasileira difundiu noções erradas que turvaram o debate político, tornando-o improdutivo para quem se opõe às idéias socialistas. É daí que surgem as falsas noções de que o PSDB é de direita, que o Foro de São Paulo é irrelevante, e que não existe esquerda nos EUA porque são todos capitalistas.

Como disse o francês Charles Baudelaire, “O truque mais esperto do Diabo é convencer-nos de que ele não existe”. Por isso é preciso esclarecer os termos: o socialismo não se opõe ao capitalismo; ele se opõe à propriedade privada. Logo, os maiores adversários dos socialistas não são os capitalistas, mas os conservadores e, em alguns casos, os liberais.

Conservadores são anti-socialistas porque defendem a propriedade privada e liberdades individuais, mas principalmente porque o socialismo é uma ideologia revolucionária que visa alterar os modos de vida de forma imprudente. Liberais, no Brasil, se opõe ao socialismo, mas muitos não percebem que nem sempre os socialistas são totalmente contra o livre mercado. Eis o perigo da esparrela esquerdista em que eles caem.

Comunismo, um negócio da China – Para Karl Marx, o capitalismo não era necessariamente contrário ao socialismo. Era uma fase da história, posterior ao feudalismo e anterior ao socialismo. O socialismo, quando chegasse, não extinguiria o capitalismo de uma vez. Apenas trocaria as classes sociais de posição, instaurando a ditadura do proletariado, acabando com propriedade privada e socializando os meios de produção. O comunismo seria uma fase seguinte, onde Estado e sociedade civil se fundiriam.

Comunistas espertos sabem que não existe economia socialista em grande escala, como já foi demonstrado por autores liberais e pela realidade. Basta ver que todas as experiências de viés socialista resultaram em fracasso econômico, fome e tirania. Só a China, nas últimas décadas, é que aprendeu a lição, por isso segue firme e forte com a política de governo comunista, sem abrir mão da economia capitalista, rumo a se tornar a maior potência do planeta em algumas décadas.

O problema é que toda super potência impõe sua cultura ao mundo de alguma forma, como os americanos têm feito nas últimas décadas com sua música, cinema, língua, modos de vida. Agora imaginem como será se um dia a China alcançar esse status. Que tipo de cultura ela vai impor? De consumo, democracia e liberdade? Ou de comunismo, ateísmo e controle estatal absoluto sobre os indivíduos? Cultura ocidental – Por essas e outras é que a aproximação entre Brasil e EUA é muito importante. São as duas maiores democracias do Ocidente e ambas são nações cristãs. Pode ser o começo de um novo fôlego para a cultura ocidental, não para desrespeitar outras culturas, mas para não ser atropelado por elas, que é o que tende a acontecer nas próximas décadas, seja por religiosos muçulmanos ou por comunistas ateus.

Afinal, a cultura ocidental é que gera os modos de vida que os socialistas adoram. Nenhum quer morar na China nem na Coreia do Norte.

Quando Trump e Bolsonaro falam sobre socialismo, eles só falam daquilo que a população já percebeu, mas que a mídia e os intelectuais insistem em negar. Socialistas são organizados, estratégicos e estão bem posicionados há décadas. Quem tem inimigo imaginário é quem desenha suástica na própria barriga com canivete e depois é processado por falsa comunicação de crime. É quem vê fascismo em tudo, menos no espelho, enquanto clama por aumento do poder estatal em detrimento dos indivíduos.

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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