Pegando no contrapé a incoerência e a desfaçatez de Freixo e Ciro

Na mesma semana, Marcelo Freixo defendeu que pobres não podem andar de avião, e Ciro Gomes reclamou que o pão ia ficar mais barato pro nordestino.

Claro que eles não falaram nesses termos, mas esse é o resultado prático do tipo de política que defendem.

No caso de Freixo, ele bradava contra a abertura do mercado de aviação à concorrência estrangeira. Segundo ele, isso é entreguismo e ia prejudicar a indústria nacional de aviação.

Já Ciro, achou um absurdo o governo ter facilitado a importação de trigo dos EUA. Segundo ele, isso quebrará a indústria nacional de trigo e gerará desemprego.

Mas a história não é bem assim. O que eles estão defendendo é protecionismo, barreiras de entrada para a concorrência. Pouca concorrência, a gente já sabe no que dá: cartel, produtos ruins, preços altos e consumidor refém. Nenhum país do mundo ficou rico obrigando as pessoas a pagarem mais caro por produtos piores e a subsidiarem negócios que seriam inviáveis se tivessem que enfrentar o livre-mercado. Ao contrário. Isso empobrece todo mundo.

Se os consumidores puderem ter o mesmo produto por um preço mais barato, sobrará dinheiro para eles comprarem outra coisa ou pouparem. Na primeira hipótese, geram emprego em outro setor. Na segunda, a maior oferta de poupança baixa os juros. Talvez os produtores de trigo brasileiros quebrem mesmo, e se a produção for inviável, é melhor deixar quebrar. Mas os empregos migrarão para outros setores, que receberão o investimento excedente dos consumidores. Se ao invés de comprar pão mais caro para subsidiar os produtores de trigo, o pobre puder comprar pão mais barato, feito com trigo importado, vai sobrar pra comprar a manteiga, ou o queijo, por exemplo.

A gente não precisa ter produção de tudo, mas focar no que fazemos de melhor, e deixar que outros países nos vendam o que forem mais eficientes para fazer de forma mais barata. O Chile não tem uma única fábrica de carros, mas nem por isso é mais pobre que o Brasil. Ao contrário, graças à agressiva abertura comercial, os chilenos têm acesso a carros importados pelo mesmo preço que nossos carros populares. Garanto que não tem nenhum chileno reclamando de entreguismo ou destruição da indústria nacional...

(Texto de Priscila Chammas. Jornalista)

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