Maia tenta fritar Sérgio Moro para queimar Bolsonaro

À luz do dia, Rodrigo Maia está chantageando o presidente Jair Messias Bolsonaro com a fritura declarada do ministro Sérgio Moro e os ataques desmedidos à Reforma da Previdência. Maia repete o modus operandi de Eduardo Cunha à frente da Câmara dos Deputados.

Necessário é resgatar à memória o passado recente...

Em fevereiro de 2015, Eduardo Cunha foi eleito à Presidência da Câmara com 267 votos graças à articulação do então vice-presidente da República Michel Temer e do ministro Moreira Franco. O objetivo era enfraquecer Dilma Rousseff e o PT e aumentar o poder do PMDB, que tornou-se o partido com o maior número de pastas na Esplanada dos Ministérios.

Em 07 de julho daquele mesmo ano, Cunha concedeu entrevista exclusiva à Revista Galileu, das Organizações Globo, e fez a seguinte declaração:

"Àqueles que hoje estão com raiva do governo porque não votaram nele ou votaram nele e se arrependeram, se achavam 'vou fazer o impeachment para trocar', não é assim que funciona a democracia. Esse governo é eleito, tem mandato. Se o povo errou elegendo, o povo terá oportunidade de corrigir na próxima eleição. Se houver fatos dentro da Constituição brasileira que sejam enquadrados, é outra coisa. Mas não é o caso." [Fonte: https://glo.bo/2YeTEjz]

A partir de então, Cunha passou a dar visibilidade dentro da Câmara dos Deputados a movimentos de oposição da sociedade civil que ganhavam corpo, como o MBL - Movimento Brasil Livre, o grupo NasRuas e congêneres.

Estavam fritando Dilma em praça pública. Há até uma matéria da Folha de S.Paulo com o seguinte título:

"MBL, ruralistas e evangélicos se unem por agenda liberal." [Fonte:http://folha.com/no1766785]

Cinco meses depois, em 02 de dezembro de 2015, Eduardo Cunha autorizou a abertura de processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff. [Fonte: http://glo.bo/1LOVbxw]

O modus operandi agora é o mesmo.

Reeleito para a Presidência da Câmara com 337 votos, Rodrigo Maia primeiro demonstrou total apoio ao Governo Bolsonaro e seu partido, o Democratas, tornou-se o mais poderoso da Esplanada dos Ministérios, superando até o PSL, partido do presidente da República, e outras siglas mais relevantes.

Desde a última quarta-feira, 20 de março de 2019, Maia partiu para o ataque. Primeiro usou seus canais na imprensa para fritar Sérgio Moro, titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e seu projeto de combate ao Crime Organizado.

Teve a ousadia de dizer:

"O funcionário do presidente Bolsonaro? Ele conversa com o presidente Bolsonaro e se o presidente Bolsonaro quiser ele conversa comigo.[...] O projeto é importante, aliás, ele está copiando o projeto direto do ministro Alexandre de Moraes. É um copia e cola. Não tem nenhuma novidade, poucas novidades no projeto dele." [Fonte:https://bit.ly/2TRqKaS]

O respeitável público acabou entendendo o motivo da tromba: no dia seguinte, 21 de março, a Operação Lava Jato prendeu Michel Temer e o sogro postiço de Maia, Moreira Franco, os mesmos que haviam articulado sua assunção à Presidência da Câmara, tal qual Cunha, quatro anos antes.

Não parou por aí. Já em 22 de março surge Rodrigo Maia no Jornal Nacional, da Rede Globo, eximindo-se de seus compromissos anteriormente assumidos e chantageando o presidente Jair Bolsonaro em cadeia nacional:

"O meu papel eu vou continuar cumprindo, coordenando dentro da Câmara a aprovação da reforma e colocando de forma clara na figura do presidente da República a responsabilidade dele conduzir, por parte do governo, a aprovação da reforma. Ele precisa ter um engajamento maior. Ele precisa ter mais tempo para cuidar da Previdência e menos tempo cuidando do Twitter, porque senão a reforma não vai andar. Eu não preciso almoçar, não preciso do café e não preciso voltar a namorar. Eu preciso que o presidente assuma de forma definitiva o seu papel institucional." [Fonte:https://glo.bo/2FuJLae]

Agora, como nos informa O Antagonista, Rodrigo Maia prepara mais um golpe contra o projeto Anticrime de Sérgio Moro. Diz o site:

“Será lançada na quarta (27) uma campanha para desmoralizar o projeto, propondo tudo que a esquerda defende na segurança e que vai na contramão do que prega o governo: soltar mais presos, desarmar a população e endurecer punição sobre policiais. 'As instituições e entidades subscritoras rechaçam as fórmulas primordialmente baseadas no recrudescimento da legislação penal e processual, que têm se mostrado inefetivas e ensejado o aprofundamento da insegurança pública', diz carta que será entregue a deputados." [Fonte:https://bit.ly/2FtGMgS]

O modus operandi de Rodrigo Maia é idêntico ao de Eduardo Cunha. Ou o presidente Jair Bolsonaro abre os olhos agora e toma uma atitude forte em relação a Maia e ao DEM, ou assistirá aos apoios derreterem sistematicamente, em especial se permitir a manutenção da fritura de Sérgio Moro.

A divulgação da pesquisa IBOPE no dia anterior aos fatos não foi por acaso. Todos os recados estão dados.

Helder Caldeira

Escritor, Colunista Político, Palestrante e Conferencista
*Autor dos livros “Águas Turvas” e “A 1ª Presidenta”, entre outras obras.

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