Tem que manter isso, viu

Composta de elos ou engrenagens, o vicioso círculo da corrupção gira continuamente, como um mecanismo diabólico que parece não se poder parar.

O dinheiro fácil, a cretina sensação de sentir-se mais esperto que os outros, a confiança na impunidade, faz com que a ciranda não cesse.

O que a faria parar?

A prisão - ela própria, um quadrado -, que dentre as punições legais possíveis é a que se mostra mais eficaz para romper o círculo vicioso, além de inibir o voo de outras aves de rapina.

Com a saída de um dos elos - um corrupto e sua ação criminosa - a gincana emperra ou se enfraquece, iniciando-se, então, em paralelo, um novo ciclo, agora com outras roldanas: as delações, as novas investigações, outras prisões, a reafirmação do império da lei, a confiança da sociedade em suas instituições, a recuperação, ao menos em parte, do dinheiro usurpado.

Nesse momento, o outrora esperto vira trouxa, e o sorriso, então, muda de rosto.

É quase um “círculo virtuoso”, é o que aspira, espera e está fazendo o Brasil.

Tem que manter isso, viu.

(Texto de Edilson Mougenot Bonfim. Jurista. Procurador de Justiça em São Paulo)

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