Mídia tendenciosa cria polêmica sobre 1964 pois não admite outros pontos de vista (veja o vídeo)

É certo comemorar o "Golpe Militar de 1964"?

Uma das polêmicas criadas pela mídia nesta semana foi sobre a determinação de Bolsonaro para que seja comemorado o que se convencionou chamar de "Golpe Militar de 1964". O evento completa 55 anos no próximo dia 31 de março.

Do jeito que os jornais falam, parece que foi ordenado fazer uma grande festa, mas foi apenas a inclusão da data na ordem do dia dos quartéis. O que (e se) será feito, fica a cargo de cada comandante.

Desde 2011, por ordem de Dilma, as atividades que lembram a data nas unidades militares foram suspensas. Ela preferia cerimônias como a que fez no Palácio do Planalto, em 2014, para criticar o Regime Militar e exaltar seus companheiros de partido, entre os quais alguns que acabaram presos na Lava Jato.

Se 1964 pode ser encarado como um duro golpe por quem queria a ditadura do proletariado, também pode ser um necessário contragolpe para quem não queria viver numa nova Cuba. E pouco importa quem tem razão. Importa numa sociedade com liberdade de expressão que a mídia exponha as várias versões e deixe a opinião para o leitor.

Infelizmente, a grande maioria dos veículos assume como única, verdadeira e inquestionável a versão de "golpe contra a democracia", induzindo o público a rejeitar outros pontos de vista antes de examiná-los. É daí que nasce a polêmica: da recusa da extrema-imprensa lidar com a variedade de opiniões e de recortes historiográficos.

Gostando ou não, 1964 faz parte da história. Então, é desejável que seja lembrado e que seja dado espaço a todas as versões, assim o público não depende só de jornalistas e professores tendenciosos.

Vale registar aqui que não vejo problema na mídia, professores e historiadores serem tendenciosos. O problema é quando se fingem de neutros. Reparem como nos próximos dias serão publicadas varias reportagens abordando negativamente do Regime Militar, como se não houvesse nada de bom para ser comentado.

PLURALIDADE - No dia 31 de março (2019), a produtora Brasil Paralelo lança o documentário "1964 - O Brasil entre armas e livros". A produção reúne grandes estudiosos e foi feita com base nos arquivos, até então, secretos, do serviço de inteligência do bloco comunista no leste europeu.

A mídia, com sua bola de cristal furada, ainda não viu, mas já trata o filme como se fosse uma apologia à ditadura. Por aí vocês já imaginam: deve valer a pena assistir. No dia 02 de abril, o vídeo estará liberado no canal da produtora no YouTube.

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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