PEC do Orçamento Impositivo, o tiro no pé de Nhonho

Vejam que fenômeno interessante aconteceu:

Ontem (26) o Congresso aprovou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do ORÇAMENTO IMPOSITIVO, que em resumo, tira do presidente a liberdade de gastar o dinheiro público da forma que quiser. O governo terá que destinar uma porcentagem X para cada área, sem muita margem para inventar, ou, investir em outros projetos.

Isso é ruim para o governo? Bem, se eu fosse a presidente, gostaria de decidir com minha equipe onde gastar o dinheiro arrecadado, mas Bolsonaro não pensa assim. Lembram do lema: "Mais Brasil, menos Brasília"?

É sobre isso que ele estava falando!

Um presidente não deve ter esse poder de decidir sozinho onde gastar, vejam nossas últimas experiências com isso, foram desastrosas! Mas é fácil falar assim enquanto se é oposição, difícil é manter esse discurso enquanto governo.

Enquanto muitos vêem uma derrota para o presidente ou uma revanche dos deputados, eu vejo um governo coerente com as propostas da campanha. Não dá para pedir menos poder para Brasília e ao mesmo tempo exigir que o poder de decisão se concentre nele mesmo!

Não esqueçam: Ele ESTÁ PRESIDENTE, não é algo vitalício; que bom seria se o Congresso tivesse aprovado esse controle das contas públicas há 10 ou 15 anos atrás, talvez tivessem evitado que o governo PT e aliados, desviassem 8 TRILHÕES que já foi rastreado pela Lava Jato, mas antes tarde do que nunca.

Aqui é que entra o fenômeno que vem me chamando atenção. Percebam que se o governo fosse do PT, as pessoas que hoje estão reclamando da aprovação da PEC, estariam comemorando porque o governo não teria a liberdade de usar o dinheiro como quisesse (como fez por décadas enviando dinheiro de nossos impostos para países socialistas, por exemplo), mas como o governo é de Bolsonaro, eles estão chateados porque ele não poderá usar como bem entender.

Sabe como se chama esse fenômeno? CONFIANÇA!

Quem reclama da PEC é porque confia mais no presidente e na sua equipe econômica do que em todos os deputados e senadores eleitos.

Por que eu penso que o governo não perde com isso? Por 2 motivos:

1°- Tendo um orçamento engessado pelo Congresso, o risco de errar diminui, o risco de desvios de verbas diminuem e as críticas acerca da efetividade desse investimento também diminuem.

2° - O próprio filho do presidente votou a favor da PEC, é evidente que ele é o tradutor dos anseios do pai dentro da câmara! A frase de Eduardo deixa bem claro isso:

"Nunca foi pauta do governo Bolsonaro fazer o Legislativo de refém através de emendas orçamentárias".

Não sei vocês, mas particularmente prefiro um governo engessado e coerente do que livre e indecente.

Raquel Brugnera

Pós Graduando em Comunicação Eleitoral, Estratégia e Marketing Político - Universidade Estácio de Sá - RJ.

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