Com meia dúzia de palavras, Tofolli diz que não aceita críticas e faz ameaça velada à liberdade de imprensa

Um pequeno ditador aflorou, durante a palestra ministrada por Dias Toffoli nesta sexta-feira (29) na Universidade Uninove, em São Paulo.

O presidente do Supremo Tribunal Federal fez ecoar todo o seu impressionante despreparo.

Não é à toa que foi reprovado em duas provas para juiz substituto.

Disse o ministro:

“Eu, como chefe do Poder Judiciário da nação, não aceito as críticas que são feitas porque as críticas que são feitas ao Poder Judiciário não são em razão das nossas demoras ou de eventuais problemas, são em razão da nossa efetividade em garantir em um país desigual os direitos e garantias da liberdade.”

Como assim, não aceita?

E complementou:

“Quem garante a liberdade de imprensa é o Supremo”.

Puro devaneio do ex-assessor de José Dirceu.

Nota-se, por exemplo, que o ministro está redondamente equivocado com relação ao que motiva às críticas ao STF.

Na realidade, o que a sociedade não suporta mais e tem provocado uma suprema repulsa contra a Suprema Corte, é ver a Lava Jato, atuante na luta contra a corrupção, sendo tolhida por decisões esdrúxulas e pela interminável soltura de criminosos por parte do STF.

Por outro lado, a pretensão de mudar o entendimento com relação à prisão em 2ª instância, caso efetivada, fatalmente será mais um duro golpe e poderá ter um desfecho imprevisível.

Quanto à afirmação do ministro, em tom de ameaça, de que “quem garante a liberdade de imprensa é o Supremo”, é evidentemente mais um inaceitável absurdo.

Quem garante a “liberdade” é a nossa Constituição.

E a função do Supremo, pelo menos em tese, deveria ser a de guardião da Constituição, jamais utilizar a sua obrigação para afrontar e intimidar, como faz o aspirante a ditador.

Otto Dantas

Articulista e Repórter
otto@jornaldacidadeonline.com.br

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