O impressionante relato de um PM que salvou a vida, mas perdeu a perna, no exercício do trabalho

"Lembrando hoje e dando graça a Deus que já se passaram 9 meses que fui trabalhar, vi o jogo do Brasil e Bélgica na casa da minha mãe e fui cumprir minha missão de salvar vidas.

O local Estrada Lagoa Barra, hora do término meia noite.

Eu estava feliz de ir cedo para casa iria ter uma folga de 3 dias e já eram 23:15.

Eu estava dentro da área de abordagem quando vi uma L200 em alta velocidade invadindo a área levantando os cones e vindo em minha direção.

Primeiro tentei sinalizar, mas vi que o carro iria querer passar mesmo que fosse por cima de mim, nesse momento tentei correr, dei o passo suficiente para tirar meu corpo da frente mas ficou a perna esquerda.

Senti meu corpo subir e cair no chão, senti o gosto de sangue, passei a mão no rosto e ficaram cheias de sangue. Deitado no chão, levantei a cabeça e vi algo na estrada ainda caindo. Olhei novamente e vi que era meu coturno com a perna junto que estava distante de mim e sem querer acreditar olhei para baixo e vi que estava sem perna e com uma hemorragia muito forte.

Minha amiga Sgt. Beth deitou ao meu lado e tentou me acalmar, meu salvador e amigo Léo do Detran retirou seu cinto e prendeu no pedaço de perna que restava. Eu apertei o cinto e o sangue parou de espirrar como chafariz.

Na hora só pensava em sair vivo, pensei na minha filha de 2 meses e pedi para não me deixarem morrer, no momento era só o que eu queria.

Outro anjo se apresentou nesse momento Sgt. Cordeiro (o nome já diz o Cordeiro de Deus), um policial de 2 metros de altura conseguiu me retirar do chão com arma, colete e tudo. Eu pedi a ele "me ajuda a sair daqui", ele me levou até a viatura e os dois policiais mais anjos passou pelo rádio minha idade o tipo de acidente e que aquela altura eu estava entrando em choque pelo falta de sangue.

Cheguei no hospital Miguel Couto, pressão 7×2, estava quase desmaiando. Escutava distante os policiais gritando comigo "Sgt não apaga não, chefe fica com a gente".

Entrei no hospital, olhei para o médico e disse "me salva, eu estou apagando, meu sangue é A negativo”. Ele disse “calma vai dar tudo certo”.

Lembro da sala de cirurgia e lembro da gritaria. Trás sangue, temos que controlar a pressão, não pode dar parada e apaguei.

Acordei na maca. Ela estava andando, minha esposa estava ao lado, com lágrimas nos olhos e olhar assustado eu falei "estou bem quero ir pra casa", mais não fui.

Fui transferido para hospital da polícia passei por muitos exames e a médica Dra. Marcela (mais um anjo) veio, fez carinho na minha cabeça, e falou que minha bacia estava quebrada e que teria que fazer mais uma cirurgia, que eu teria que autorizar, assinar um papel, mas era necessário havia risco de morte.

Fiquei com medo, assinei e esperei a noite toda. A médica ficou ao meu lado na CTI. De manhã subi, apaguei novamente, acordei na sala com ferros na barriga.

Bem, a partir desse dia comecei a me recuperar, com ajuda da minha esposa, meu Cel, comandante Marco, meus amigos da lei seca, meus amigos do Detran, Léo o cara do cinto, Cordeiro, Beth e todos que me ajudaram nessa nova caminhada.

O condutor que causou todo esse sofrimento estava com 0.87 de alcoolemia, totalmente alcoolizado, responde em liberdade. E eu, continuo pagando minha pena, por isso, mais do que nunca, se beber não mate e não morra, não dirija."

(Texto de Marcio Valle. Policial Militar)

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