Dona Aparecida, a avó de Michelle, e a perversa canalhice da Revista Veja

A onda de ataques contra o atual Presidente da República tem alcançado um patamar de absoluta crueldade, algo realmente indescritível e nojento.

A dor que a mídia tradicional está sentindo com a perda da mamata de outrora, com o fim das polpudas verbas publicitária, faz destilar ódio todos os dias. Contra o presidente, os seus filhos e agora, contra a primeira dama, buscando para tanto, sabe-se lá em que contexto, uma conversa cheia de más intenções entre um repórter aético e uma velhinha de quase 80 anos, analfabeta, avó de Michelle.

Nunca foi negada a origem humilde de Michelle. Família bem pobre. Fato que a reportagem só confirma.

Ruidosamente, tentam transformar Michelle numa megera.

Porém, as contradições da reportagem demonstram a ‘sacanagem’, o jornalismo picareta, onde a ausência do ‘jabá’ leva ao ataque difamatório, sem qualquer propósito e sem nexo.

Puro sensacionalismo maldoso e inconsequente.

Diz o repórter:

“Faz mais de seis anos que ela não vê a neta que ajudou a criar”.

Ora, Michelle até o final do ano passado morava no Rio de Janeiro.

Na sequência, a revista descreve a rotina da velhinha, cardíaca e portadora do mal de Parkinsson, para alfinetar:

“Passados três meses de governo, ela não recebeu convite para uma visita ao Palácio da Alvorada, a residência oficial, que fica a apenas 40 quilômetros da favela.”

E opinar maliciosamente:

“A neta agora famosa, o presidente da República e a pobreza são assuntos que parecem despertar sentimentos conflitantes em dona Aparecida.”

E ai soltam uma declaração da vovó, que notadamente revela uma preocupação natural de uma pessoa humilde, tratada pela revista com absoluta maldade:

“Além disso, se eu chegar assim (diz apontando para as próprias roupas), posso ser destratada, e isso vai me magoar. Eu não tenho roupa, sapato, nada disso, para frequentar esses lugares”.

É o jornalismo promíscuo, sem noção, desrespeitoso. Não com Michelle, mas com a velhinha, usada covardemente para um ataque sórdido.

Termino com o meu testemunho pessoal. Minha avó, nascida e criada na Liberdade, um dos maiores e mais violentos bairros de Salvador (BA), atualmente com a idade bem próxima da avó de Michelle, não deixa o bairro de jeito nenhum. Já teve diversas oportunidades de sair, mas, segundo ela, é lá que estão os seus amigos, as suas lembranças e a sua vida. É lá que ele quer viver o resto de seus dias e ser enterrada.

São mistérios da vida humana que um repórter insensível como esse da Veja, jamais será capaz de compreender.

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