O último recurso de quem já perdeu a razão

A censura arbitrária exercida nestes dias pelo ministro Alexandre de Moraes em nada difere da praticada na ditadura militar.

É um enorme retrocesso - uma vergonha mundial - e um marco na luta dos grupos que mantém o país refém de suas manobras visando a manutenção do poder a qualquer custo.

O cala boca, em si, se auto explica.

A ação do ministro não foi para blindar - como usualmente, vide Gilmar - corruptos ou outros tipos de delinquentes.

Foi para proteger um dos próprios ministros, Dias Toffoli, apontado pelo delator Marcelo Odebrecht como participante das maracutaias e da corrupção generalizada que apodrece este país.

O 'amigo do amigo de meu pai’, alcunha divulgada pela revista Crusoé e que supostamente identificaria Toffoli acabou encostando os ministros do STF na parede.

A reação autoritária, já esboçada anteriormente pelo próprio Toffoli, foi rápida e desastrosa.

Como qualquer general de republiqueta das bananas faria - vide Maduro - foi imposta censura de cima pra baixo, pela força de penalidades, multas e bloqueios, pura e simplesmente.

E não fica por aí: mais oito pessoas, entre elas o general de reserva Paulo Chagas, foram vítimas de bloqueios e intimações.

A ideia, que cresce entre os ameaçados pelo novo governo de Bolsonaro, não é nova, vem desde as frustradas tentativas de instituir o marco civil nos governos petistas e vem sendo aplicada descaradamente, como no caso da condenação à prisão do apresentador Danilo Gentili, acusado de ofender a ‘santa’ Maria do Rosário.

O autoritarismo do judiciário vai atingindo, nestes tempos, um limite insuportável e perigoso.

É um caminho sem volta.

E uma demonstração evidente de força na queda de braço entre a velha política corrupta e o governo de Bolsonaro, eleito pelo povo.

Ironicamente, aliás, é um ex-militar, Bolsonaro, que luta hoje para aprovar emendas que garantam a liberdade de expressão da sociedade e contenham os avanços autoritários do Judiciário.

Há um impasse evidente.

E grave.

Cabe a Bolsonaro, como chefe da nação, colocar o STF em seu devido lugar.

Ou vamos reviver em breve os anos negros da censura, onde a liberdade de expressão será apenas um sonho.

Já vimos esse filme no Brasil.

E os únicos que parecem querer - e precisar - de uma lamentável reprise são os ministros do STF e seus patrões.

Marco Angeli Full

Artista plástico, publicitário e diretor de criação.

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