A sociedade brasileira se levanta contra a tentativa autoritária de blindagem do ministro

Em sua desastrada e autoritária ação para se blindar das acusações contidas na delação de Marcelo Odebrecht e publicadas na revista Crusoé, o ministro Dias Toffoli deu um verdadeiro tiro no pé.

De calibre 12.

Sai do episódio manco, junto com o coleguinha Alexandre de Moraes.

O que conseguiu foi a reação imediata de repúdio de toda a sociedade brasileira, inclusive – pasmem - de grande parte da imprensalha, caso da Folha de S.Paulo.

Era óbvio que fosse assim. A tentativa desesperada de reviver os anos negros de censura - na íntegra e em alto estilo - não interessa a ninguém mais, além do próprio Toffoli e alguns poucos ‘cumpanheiros’.

O palavrório estabanado do ministro tentando justificar o ato como uma reação ‘a ataques à instituição do STF’ é absolutamente improcedente, já que a maioria dos ministros manifestaram seu repúdio ao tiro, imediatamente.

Naturalmente, se calaram Lewandowski e Gilmar.

Mas são minoria, a raspa do tacho.

Até Raquel Dodge, da PGR, pediu imediatamente o arquivamento da ação de Moraes contra a revista Crusoé e o site Antagonista, por entender que a medida é arbitrária e passa por cima do MPF.

No país inteiro, juristas como Modesto Carvalhosa se levantaram contra a medida, e discursos duros e contundentes como o de Janaína Paschoal criticando a censura foram ouvidos, entre muitos.

A enorme reação da sociedade brasileira acabou encostando na parede o indeciso Alcolumbre, que entre idas e vindas e vai não vai, acabou declarando que irá submeter a chamada CPI da Lava Toga aos senadores.

Se aprovada - e existe grande chance de que isso ocorra - o estrago no pé de Toffoli e Alexandre será maior ainda.

Porque – investigados - a probabilidade de que apareça mais e mais sujeira por aí, é gigantesca.

Basta lembrar que Toffoli iniciou sua ilustre carreira como advogado do PT.

Precisa mais?

Se Toffoli e Moraes conseguirem sair desse imbróglio só mancando já poderão se considerar sujeitos de sorte.

Mas duvido.

Em tempo: nestes dias, os tiros suicidas viraram fashion. No Peru, foi Alan Gárcia. Na terra brasilis, Toffoli e Moraes.

Marco Angeli Full

Artista plástico, publicitário e diretor de criação.

Comentários