Esquerda vence eleição na Espanha: prenúncio de nova Grécia

Apurados 70% dos votos, a vitória da esquerda nas eleições espanholas se torna clara.

Apesar de pequena vantagem em número total de votos, o número total de cadeiras dá maioria sólida à soma de PSOE e Podemos, que precisarão apenas do apoio de um partido regional para chegar à maioria absoluta no Parlamento.

Problemas como deficit, imigração e desemprego se agudizam. O país depende cada vez mais do turismo (84 milhões de visitantes estrangeiros/ano) para manter sua economia funcionando.

Mais intervenção estatal na economia, promessa do PSOE, com manutenção de todos os "direitos", é garantia de que tempos melhores não virão. E uma nova Grécia pode surgir no horizonte, bastando qualquer solavanco para desencadear a crise sistêmica.

Por que nem PP, nem Vox, nem Ciudadanos conseguiram apresentar propostas que mobilizassem o eleitorado naturalmente inclinado à direita? É uma boa pergunta, com muitas respostas possíveis, nenhuma conclusiva. O fato é que a nação líder do mundo ibérico fez de conta que a Venezuela não é logo ali. Fez de conta que o drama venezuelano nem existe. Apesar de o Podemos ter perdido espaço na esquerda com o apoio explícito ao tirano Maduro.

Quem dirige seu destino assim, às cegas, logo encontrará um muro pela frente.Se bem que talvez a metáfora mais adequada à decisão dos espanhóis seja a do sapo que não pula da panela que esquenta aos poucos.

Aurélio Schommer

Membro do Conselho Curador na Fundação Cultural do Estado da Bahia - Funceb e Membro Titular no Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

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