Governo anuncia prioridade na educação básica e causa furor na "classe falante"

Abraham Weintraub, Ministro da Educação, anunciou que o governo priorizará a educação básica em detrimento do ensino superior.

Isso foi o suficiente pra assanhar a classe falante, que acusa o governo Bolsonaro de querer promover um "desmonte" na produção científica do país.

O maior programa de transferência do Brasil não é o Bolsa Família, o Seguro Desemprego nem a Previdência Social. São as universidades públicas. O Brasil gasta 410% a mais num aluno do ensino superior que da educação básica. Isso faz com que a sociedade subsidie com impostos quem estudou em colégios bons (e caros) o bastante para ser aprovado no vestibular de uma universidade pública.

O filho do pobre hoje sai da escola sem saber equação de segundo grau nem colocação pronominal, e com alguma sorte vai terminar aos trancos e barrancos uma faculdade particular meia boca que lhe permitirá ter um emprego subremunerado e morar em alguma periferia. Ele não ensinará aos filhos o valor do estudo, porque ele próprio nunca aprendeu esse conceito: pra ele, o ensino básico é algo que o Estado te dá de graça, e o ensino superior é algo que você compra a prestações. Nunca serão patrões, sempre empregados. Nunca fornecerão soluções, e serão incapazes de pensar criativamente.

Enquanto isso, o filho do rico vai concluir o Ensino Médio numa escola bilíngue, de onde sairá com, no mínimo, inglês fluente. Vai passar na Fuvest (ou na FGV, ou no Insper), fazer intercâmbio e, daqui a 15 ou 20 anos, virar VP de alguma multinacional. O pai rico provavelmente terá livros em casa, e mesmo que não seja muito culto, vai ensinar aos filhos que os únicos direitos que eles tem são aqueles que o salário (deles) pode comprar no fim do mês. Serão empreendedores.

O Brasil, gastando 5 vezes mais com alunos da graduação que com alunos do ensino básico, é responsável por somente 0,06% das patentes registradas, em comparação, pelos EUA, e só publica 1/12 avos dos artigos científicos publicados por pesquisadores norte-americanos, algo como 2% entre 183 países.

Pra piorar, os anos PT aprimoraram no Brasil essa noção de que ensino superior é uma "conquista". Com isso você tem uma multidão de pessoas saindo de faculdades de administração sem saber o que é fluxo de caixa, gente saindo das faculdades de Direito sem terem lido um único livro em 5 anos de curso (e que não serão aprovadas no Exame de Ordem), egressos de cursos de contabilidade sem saberem o que é regime de caixa. Ou então gente saindo de cursos de extrema-humanas, como Ciências Sociais, História, Geografia, Sociologia e Filosofia, e que vão agora descobrir que seus anos de estudos não lhes renderão emprego algum.

Imagine alguém que mora numa casa sem telhado, mas compra carro novo. Que não tem comida na geladeira, mas planeja viagem à Disney. Que não completou o ensino fundamental, mas quer escrever um livro.

Esse é o Brasil.

Aqui metade da população não é atendida por rede de esgoto, e a cada verão o país inteiro é rendido por um mosquito, mas o governo promete saúde universal e gratuita a todos. Aqui 34% das crianças na 3ª série não sabem ler, mas o governo promete educação superior gratuita. Aqui as ruas não tem asfalto, mas o governo gastou mais de R$ 8 bilhões construindo estádios de futebol, alguns deles literalmente no meio do mato.

"Público" não é a mesma coisa que "gratuito", e o modelo brasileiro em que a sociedade subsidia 100% das universidades públicas é nada menos que CRIMINOSO.

Rafael Rosset

Advogado

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