A revelação de Paulinho da Força revela o temor da oposição pela Reforma da Previdência (Veja o Vídeo)

Tenho algumas críticas ao estilo tecnocrata do Paulo Guedes. Acho que o diálogo com a oposição é importante. Ouço perguntas de quem é contra a reforma e que gostaria de ver o governo responder. Mas essas declarações do Paulinho da Força mostram o que realmente está em jogo: o poder.

Segundo a reportagem (distribuída pela Agência Estado no último dia 1º de maio), o que está sendo discutido no “Centrão” é apoiar uma reforma que não colabore com reeleição de Bolsonaro.

“R$ 800 bilhões garantem, de cara, e reeleição dele. Se dermos 800 (bilhões de reais) como disse ele, significa que nos últimos 3 anos dele (Bolsonaro, na Presidência), há (R$) 240 bilhões ao ano para gastar. Eu acho que temos de ter (economia) em torno de (R$) 500 bi. (R$) 600 (bilhões) seria o limite para essa reforma”, defendeu o deputado do Solidariedade, durante evento das centrais sindicais, em São Paulo.

“Com esse discurso, tenho certeza que a gente traz todo mundo do Centrão, porque ninguém quer a reeleição de Bolsonaro”, disse.

Isso é bom para a população entender o que todo político sabe, mas não explica: o que chamamos de eleição é apenas o dia do voto, o fim de um ciclo e imediato início de outro. Quem critica Bolsonaro dizendo que “a campanha já acabou”, ignora ou finge não saber que a disputa de 2022 é o foco da grande maioria dos deputados.

Vocês já imaginaram que terrível seria o governo cheio de dinheiro em caixa para investir, mas sem destinar nenhum um centavo para mensalão, petrolão ou loteamento de cargos? Como os deputados resistiriam sem as benesses que garantem suas bases eleitorais? Se já está difícil agora, a maioria deles não sobrevive a uma reeleição de Bolsonaro.

Como disse Luís Inácio “Lula tá preso, babaca” da Silva, em entrevista aos fãs-jornalistas da Folha e do El País: “...a chance dele (Bolsonaro) dar certo é o Brasil dar certo. O povo tem paciência, mas não tem toda a paciência do mundo”.

Ou seja, opositores e falsos aliados sabem que não é preciso, nem oportuno, destruir Bolsonaro agora, correndo o risco de transformá-lo em mártir. Basta impedir que ele tenha sucesso, desconstruindo sua imagem até não sobrar nada, para vencê-lo com facilidade em 2022, mesmo que para isso seja preciso impedir o sucesso do Brasil.

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

Comentários