A tempestade em copo d’água na questão das verbas das universidades - II

Em recente artigo, publicado no Jornal da Cidade Online, demonstrei a falácia desinformativa de que o governo estava a cortar 30% das verbas orçamentárias das universidades federais. Veja-se aquele artigo no link:

A falácia, ou mentira deslavada mesmo, consistia em vender às pessoas desinformadas - aquelas que, apesar de tudo, ainda acreditam que Lula é honesto, inocente e vítima de perseguição judicial e que José Dirceu é “um guerreiro do povo brasileiro” – a ideia de que:

1. haveria corte - não contingenciamento, mas corte - de 30% sobre o total (100%) do orçamento geral das universidades federais.

Na verdade, como demonstrei no artigo acima referido, o que realmente há é o contingenciamento (não corte) de 30% sobre as verbas discricionárias - isto é, verbas correspondentes a gastos não obrigatórios - que somam, esta últimas, cerca de 30% do orçamento geral das universidades. Como consequência, o contingenciamento real é de apenas 5% sobre o orçamento geral das federais. Ou seja, a mentira deslavada, propagada pelas esquerdas jurássicas - PT à frente – carrega um erro sobre a verdade de 95%.

Como classificar gente assim? O adjetivo “desonesto” - embora preciso - será bastante? Ou será necessário classificar esta raça como canalha mesmo?

Para essa raça esquerdopata, o que interessa é confundir os jovens estudantes – principalmente aqueles que acham que a UNE os representa e que seus dirigentes são honestos – transformá-los em “massas” - conforme o jargão do comunismo - e manobrá-los para que, sem que percebam, ajudem a transformar o Brasil numa Cuba, numa Venezuela ou, quiçá, numa Coreia do Norte.

2. Seria, o contingenciamento, um golpe fatal nos programas de pós-graduação e nas pesquisas e desenvolvimentos dentro das federais.

Se esta ideia tivesse o mínimo de correlação com a realidade, seria de fato uma tragédia.

Mas é uma absoluta e rematada mentira.

A ‘Foice’ de São Paulo, em matéria de primeira página do dia 16, fala em “arrocho na educação” (“Arrocho na educação” com apenas 5% de contingenciamento, que atinge só as verbas discricionárias! Dá até nojo em comentar tal falsidade). Fala, a matéria da ‘Foice’ de São Paulo, em impactos que “vão da educação infantil à pós-graduação.” (A pós-graduação é onde se concentram quase 100% das pesquisas e desenvolvimentos, dignos destes nomes, nas universidades). Nada mais falso! Nada mais absurdamente falso! Nada mais desonestamente falso!

Vamos à verdade.

Servi à UFSC por 43 anos. Tive ação destacada - reconhecida pela própria UFSC através de uma medalha que me concedeu - na construção da pós-graduação daquela universidade. Mais tarde, concebi e construí o - até então - único laboratório de vibrações e acústica da América Latina (LVA), com padrões internacionais.

O Prédio do laboratório foi construído com recursos extra - MEC. A câmara reverberante do laboratório, então única no Brasil, foi construída com recursos da FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos. Nem um só centavo do MEC. Os equipamentos, que garantiram ao laboratório qualidade de primeiro-mundo, não contaram também com um único centavo do MEC. Outros sub-laboratórios, criados dentro do primeiro - por exemplo, o laboratório de dinâmica de materiais e elementos viscoelásticos - não foi agraciado com um centavo sequer do MEC. Nem mesmo as bancadas e a Câmara de Climatização para ensaios dinâmicos de materiais viscoelásticos foram construídas com recursos do MEC. Todos os vários computadores e demais equipamentos do LVA não contaram com um único centavo do MEC.

O que o MEC fornece são: salários dos docentes e funcionários (que estão fora do contingenciamento), energia elétrica, limpeza e segurança (precária!).

Bolsas de pesquisas, de iniciação científica e de pós-graduação representam todas recursos extra - MEC.

Tudo o que fiz e construí foi com financiamento de órgãos de fomentos, tais como: CAPES, CNPq, FINEP, FBB (Fundação Banco do Brasil), CTA. Uma contribuição extremamente relevante foi dada por empresas privadas. A manutenção de todo aquele acervo de equipamentos caríssimos, também nunca contou com um único centavo do MEC. Era custeada com recursos conseguidos junto a empresas privadas.

O que descrevi acima representa o figurino geral de toda a pesquisa e desenvolvimento (dignos deste nome) das universidades federais (e privadas) brasileiras.

A presença do MEC no financiamento de pesquisas e desenvolvimentos é nula, ou absolutamente marginal.

Alegar, então, como fez a ‘Foice’ de São Paulo, prejuízos que “vão da educação infantil à pós-graduação” configura, ou absoluta ignorância de como as coisas funcionam nas universidades, ou extrema má fé a serviço do “quanto pior, melhor”.

Para terminar, retorno ao cinismo da mídia tradicional (‘Foice’ de São Paulo à frente) e recordo (já que a esquerdalha nacional não tem memória, se tem cérebro) que no governo do Grande Canalha, o ‘Princeps Corruptorum’, Lula, um corte (aquele sim corte!) de 30% foi aplicado ao orçamento geral das federais. (Seis vezes maior do que o atual, portanto!) Aquele corte correspondia, na época, a R$ 10 bilhões e foi aplicado sem que isto incorresse em passeatas, mobilização da UNE, ou da CUT (que quer dizer PT) et caterva. Veja-se um vídeo esclarecedor a este respeito:

Depois do desenvolvimento da internet, não se fazem mais distorções da verdade impunemente, como antigamente. A ‘Foice’ de São Paulo e mídias assemelhadas que se cuidem.

José J. de Espíndola

Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.

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