Os embusteiros

Foi na tarde de um domingo ensolarado, em São Paulo, que vi Lula da Silva ao vivo pela primeira e última vez.

27 de novembro de 1983.

Praça Charles Miller, em São Paulo, em frente ao estádio do Pacaembú.

Lá, eu e mais 15 mil pessoas assistimos ao que seria o lançamento da campanha pelas Diretas já, convocada pelo PT e pela CUT.

O ato público, naturalmente, reuniu representantes do PMDB, PDT e mais 70 entidades, já conhecidos como ‘oposição’ à ditadura militar - ou regime, como quiserem.

Nessa época afastado de qualquer movimento de esquerda, compareci ao ato como cidadão. Afinal, era o pontapé inicial para o país voltar ao estado democrático.

A palavra no ar era ‘esperança’.

Em dias melhores, dias de liberdade, de desenvolvimento.

Naquela tarde de domingo, ao lado de cupinchas como FHC e outros, Lula esbravejou.

Se até então para mim o homenzinho era uma incógnita, nesse dia me surpreendeu.

Era um discurso aos gritos, surreal, contra tudo e todos que não fosse operariado, uma gritaria arrogante e prepotente, afastada completamente do que poderíamos chamar de realidade.

Lula defendia, insanamente, um mundo sem patrões.

Como ele poderia imaginar - ou fazer esse mundo - era o que imaginávamos, eu e mais um monte de gente naquela praça.

O discurso radical era o que se veria de Lula nos anos seguintes, até 22 de junho de 2002, quando em acordo com as forças que o elegeriam - especialmente o socialista FHC - publicou a Carta ao Povo Brasileiro.

Em outubro, Lula foi eleito.

Dezessete anos depois, o triste e lamentável resultado da participação desses embusteiros na vida politica brasileira se conhece.

O homenzinho está preso, com mais 7 processos a responder, e com o assombroso crédito de ter sido provavelmente o protagonista e mandante do maior esquema de corrupção e roubo já visto no mundo civilizado.

E FHC continua vivendo do passado, achando que ainda consegue enganar seu povo.

Curiosamente, naquela mesma tarde de domingo morreu Teotônio Vilela, do PMDB, um dos maiores defensores e lutadores pelas Diretas Já, que mudariam o Brasil.

Sem que soubéssemos, morria também naquela tarde, com a ascensão de Lula, a esperança dos brasileiros por um país melhor.

O país verdadeiramente democrático, desenvolvido, com educação, saúde e cultura prometidos e esperados ficou no sonho mesmo.

E hoje, assustadoramente, as mesmas forças que naquele dia colocaram na rua um povo ludibriado e usado continuam operantes, lutando para destruir um único homem eleito pelo povo, aquele que se recusa a ser massa de manobra.

Um homem que quer tirar o país do lodaçal em que foi enfiado pela esquerda.

Esse homem é o presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Cabe ao povo, outrora enganado, defendê-lo.

Marco Angeli Full

Artista plástico, publicitário e diretor de criação.

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