Pesquisas simples no Google desmentem matéria tendenciosa de Glenn Greenwald

Há um mês o NYT liberou 10 anos de informações de Imposto de Renda de Donald Trump, relativas aos anos 80 e 90. Uma vez que essas informações são sigilosas, não restam dúvidas de que foram obtidas por meios ilegais. As declarações mostravam que em boa parte do período nenhuma outra pessoa física nos EUA havia perdido mais dinheiro que Donald Trump. Don Lemon, âncora da CNN, chamou Trump de "fraude" e de "charlatão" e teve um acesso histérico de riso ao vivo, ao supostamente "desmascarar" alguém que se apresentava como brilhante homem de negócios, mas que na realidade seria um perdedor.

Passado o choque, alguém lembrou que Trump não só jamais havia escondido seus prejuízos bilionários, como inclusive havia escrito um livro inteiro sobre as lições que havia aprendido com eles, publicado em 1988. Além disso, em dezenas de entrevistas, inclusive durante a campanha, Trump havia declarado de maneira aberta que tinha ido à falência não uma, mas quatro vezes ao longo da vida.

Toda a matéria do NYT não passava de uma "não notícia". Os grandes segredos revelados pelo jornalão eram, na verdade, mais públicos que a vida íntima das irmãs Kardashian.

Passados 30 dias do "escândalo", e finalmente substituído o Rivotril vencido do Don Lemon, ninguém mais dá a mínima para o vazamento, e a única explicação que falta é como o NYT quebrou o sigilo fiscal de um cidadão de maneira impune.

Corta para o Brasil em junho de 2019. O Intercept de Glenn Greenwald publica mensagens trocadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, obtidas de maneira confessadamente ilegal através de violação criminosa de sigilo de correspondência. Uma das mensagens mostraria Moro falando sobre um convite recebido para assumir o Ministério da Justiça, depois do primeiro turno mas antes do segundo turno. "Temos conversas que ainda não reportamos sobre Moro estar pensando [antes da eleição] na possibilidade de aceitar uma oferta do Bolsonaro, caso ele ganhasse. Isso foi antes da eleição, acho que depois do primeiro turno", afirmou Greenwald.

Uma pesquisa no Google mostra que, em 23 de outubro (antes do segundo turno portanto), o próprio Sérgio Moro afirmou publicamente que havia sido sondado por Paulo Guedes para o Ministério da Justiça. Em 21 de outubro Gustavo Bebianno dizia que Moro seria convidado para o Ministério da Justiça em eventual governo Bolsonaro. Nunca houve mistério nenhum sobre isso.

"Não notícia."

Mas continua. Dizem Gabriel Saboia e Igor Melo, no UOL, que "em 1º de outubro, a seis dias do primeiro turno, Moro tornou público um anexo da delação premiada de Antonio Palocci, homem forte dos governos de Lula e de Dilma Rousseff, com denúncias contra os governos petistas." "Todo mundo sabe que [Moro] fez isso para impedir o adversário principal do presidente de concorrer, e isso o ajudou a ganhar a eleição", completou Greenwald.

Ora, o "adversário principal" do presidente era Lula. A sentença que condenou Lula, da lavra de Moro, é de 12 de julho de 2017, 15 meses antes da eleição, quando nem mesmo Bolsonaro tinha certeza de que seria candidato. Em 5 de abril de 2018 o TRF da 4ª Região mandou que a 6ª Vara Federal de Curitiba expedisse mandado de prisão contra Lula. Lula foi preso em 7 de abril de 2018, muito antes de poder registrar sua candidatura, por ordem de um tribunal de apelação, não de Sérgio Moro. Não houve golpe nem atentado contra a democracia. Só um corrupto condenado normalmente recolhido ao xilindró pra cumprir sua pena.

Mais uma vez, "não notícia".

Fiquem tranquilos. Quando vazar alguma mensagem do Moro mandando o Dallagnol enfiar processo em algum lugar, negociando silêncio de delator ou dando foro privilegiado pra assessor pra que não seja preso, aí a gente pode começar a se preocupar.

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