Maturidade, eleições e cultura: a direita vencerá as próximas eleições, mas e depois? (veja o vídeo)

O ponto alto das manifestações de 30 de junho foi o ganho de maturidade da população, que certamente terá um efeito positivo nas eleições de 2020 e 2022. Mas nem tudo são flores e a direita brasileira precisa ficar de olho aberto e não perder de vista as ações de longo prazo.

Apesar da pauta principal - apoio a Sergio Moro - nem ser tão alarmante, já que os ataques a ele viraram motivo de chacota, as pessoas foram às ruas para se fazerem ouvir, já que a mídia tradicional não reflete mais a opinião pública. Nenhum outro país está levanto tanta gente às ruas com tanta frequência.

Há manifestação de esquerda também. Não são desprezíveis, mas são muito diferentes. Primeiro porque dependem de dinheiro público de partidos e entidades de classe, ou de ONGs bancadas por multi-bilionários. Segundo por que dependem de uma ampla rede de militantes profissionais.

As manifestações de direta não possuem mortadela ou qualquer tipo de incentivo, e mesmo assim levam muito mais gente para a rua. No último dia 30, elas ocorreram nas grandes capitais e também fora delas, com pautas bem definidas e sem incidentes significativos, mostrando que não só a população está cada vez mais consciente, mas também as lideranças conservadores estão com mais alcance e capacidade de organização.

Neste quadro, a direita brasileira continuará avançando e deve obter vitórias importantes nas duas próximas eleições. Mas é bom ficar atento. Primeiro porque a esquerda não tem chance numa disputa justa. Restará a ela sabotar o Brasil para tentar voltar ao poder. Segundo porque muitos oportunistas vão pegar a onda da direita, são os famosos "direita trans", a exemplo do que já ocorreu em 2018.

Muitos desses velhos políticos e novas oportunidades já estão se organizando para apoiar candidatos a vereador e a prefeito em todo o Brasil, então é bom o eleitor tomar cuidado para não se deixar enganar mais uma vez. Mas é bom também os movimentos conservadores formem seus próprios candidatos, autênticos, para não perderem a oportunidade de ocupar espaço.

Por fim, vale lembrar que nem só de eleição vive a Nação. As vitórias da esquerda nas últimas décadas não foram fruto só da política, mas das sementes plantadas na cultura e na educação. Da mesma forma, a vitória de Bolsonaro também não surgiu do nada, nem foi fruto do antipetismo. O antipetismo foi um adubo circunstancial para as sementes conservadoras cultivadas por influenciadores culturais, muitos deles inspirados por Olavo de Carvalho.

Esse trabalho não pode parar, pois é o que vai aumentar as chances de vitória para além de 2022. Valorize os institutos, as mídias e os grupos que têm feito esse resgate cultural. E quem tiver Fé, reze pelo Brasil, pois ele precisa.

Veja o vídeo:

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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