Após condução coercitiva, Polícia Federal pede prisão de cunhado e ex-secretário de Roseana Sarney

O cunhado da ex-governadora do Maranhão e filha do ex-presidente José Sarney, Roseana Sarney, teve o pedido de sua prisão preventiva requerido em razão de desvios de recursos públicos no valor total de 114 milhões de reais na secretaria de Saúde do Maranhão, de acordo com a Controladoria-Geral da União.
Ricardo Murad foi secretário de saude de Roseana e está sendo investigado pela Polícia Federal pela Operação Sermão aos Peixes.
O ex-secretário foi conduzido coercitivamente para depor na PF. Segundo a corporação, a suspeita é de que houve desvios de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Saúde, destinados ao Sistema de Saúde do Estado do Maranhão.
"A investigação teve início em 2010, quando o então secretário de Saúde do Estado do Maranhão se utilizou do modelo de 'terceirização' da gestão da rede de saúde pública estadual, ao passar a atividade para entes privados - Organização Social (OS) e Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) -, e, assim, fugir dos controles da lei de licitação. Contudo, essa flexibilização significou uma burla às regras da lei de licitação e facilitou o desvio de verba pública federal, com fim específico de enriquecimento ilícito dos envolvidos. Com o modelo de gestão foi possível empregar pessoas sem concurso público e contratar empresas sem licitação", informou a PF, em nota.
Durante o período de investigação, os fluxos de recursos destinados pela União, por meio do Ministério da Saúde, ao Fundo Estadual de Saúde do Maranhão resultaram em um montante de 2 bilhões de reais.
Em agosto, quando o juiz federal José Carlos do Vale Madeira determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário e o bloqueio de 17,5 milhões de reais em bens do ex-secretário de Estado, Murad "reforçou o ato de perseguição articulado pelo atual governador Flávio Dino (PC do B), através de uma ação proposta pelo Estado, baseada em uma auditoria falsa e produzida pela Secretaria de Transparência, criada única e exclusivamente para perseguir seus adversários políticos".
Segundo levantamento feito no início do ano pelo governador do Maranhão, Flávio Dino, mais de vinte unidades de saúde foram abandonadas ou tiveram as obras paralisadas. 
A operação Sermão aos Peixes foi conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Federal. Mais de 200 policiais federais e dez servidores da Controladoria-Geral da União participaram da ação. No total, foram cumpridos treze mandados de prisão preventiva, 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de condução coercitiva.
Os investigados poderão responder, na medida de sua participação, pelos crimes de estelionato, associação criminosa, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Em relação ao nome da ação, a PF informou que a Sermão aos Peixes refere-se ao sermão do padre Antônio Vieira que, em 1654, falou sobre como a terra estava corrupta, censurando seus colonos com severidade.


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da Redação

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