Vaza Jato: soltar Lula pode ser só uma peça em um quebra-cabeça muito maior (veja o vídeo)

O Pavão Misterioso tem insistido na tese de que Jean Wyllys vendeu o mandato de deputado para seu suplente David Miranda. Por mais que seja uma fonte anônima e aparentemente obtendo informações de forma ilegal, a ideia parece fazer sentido, então merece ser examinada enquanto possibilidade.

Quando um suplente é muito poderoso, é comum deputados ou vereadores serem pressionados a sair do cargo. Isso pode ocorrer de várias formas, mas deixo para comentar as diversas possibilidades em outro texto. Vamos falar aqui deste caso específico: David Miranda teria algum interesse ou poder nesse sentido? Vejamos.

O primeiro ponto é que David Miranda e seu companheiro Verdevaldo possuem boas relações com espionagem, como mostra a operação batizada de Vaza Jato. Além disso, Verdevaldo foi o primeiro a divulgar material do famoso Edward Snowden, que encontra-se exilado na Rússia. Miranda chegou a ser preso em 2013, no Reino Unido, acusado de espionagem, portando mais de 50 mil documentos.

Para quem tem bons contatos com hackers e consegue acesso a informações privadas até de autoridades, a imunidade parlamentar brasileira confere segurança para acobertar essas operações ilegais e seus autores. Será que a campanha coordenada por David Miranda para que Snowden ficasse no Brasil foi uma tentativa de garantir reserva desse mercado de informações pertinho de casa?

O segundo ponto é que o site The Intercept pertence ao multibilionário Pierre Omidyar, que investe forte num jornalismo ativista para desestabilizar governos de direita pelo mundo. Globalistas gostam de governos centralizadores com os quais é mais fácil negociar.

Para quem gasta milhões de dólares só em salário de jornalistas todo ano, dinheiro para comprar um mandatozinho de deputado brasileiro não falta, nem interesse nesse mercado de espionagem. Será que o PT, por exemplo, estaria pagando pela Vaza Jato ou é benemerência do dono do e-Bay? Isso para não falar a hipótese dele ser um laranja da espionagem russa.

Um indício que passou batido para os maiores veículos de mídia, mas foi publicado pelo Claudio Dantas, do Antagonista, em junho, está na treta entre Verdevaldo e Jean, ocorrida em fevereiro de 2018, no Twitter, após o ex-BBB manifestar opiniões sobre o conflito israelense-palestino que foram consideradas inadequadas por membros do PSOL e outros setores da esquerda.

Depois de Verdevaldo publicar uma carta criticando Jean, o então deputado escreveu, entre as outras afirmações: "Nunca ofendi Greenwald. Sempre o tratei com respeito e nunca questionei publicamente sua arbitragem partidária (a força da grana que compra candidaturas)". Ou seja, num print verdadeiro, de conta verificada, o próprio Jean afirma que Verdevaldo age como liderança partidária influente e que essa influência se deve a um poder financeiro.

Sites de esquerda e de partidos como PCO e PSTU ecoaram a desavença. O Diário do Centro do Mundo, por exemplo, em 16 fevereiro de 2018 publicou trechos de uma postagem de facebook onde Jean mais uma vez falava do poder financeiro de seus detratores: "Não adianta tentar usar esta polêmica para me desqualificar, como forma de disputar votos comigo através de alguma candidatura fake bancada com a força da grana...", disse. Qual seria essa candidatura fake bancada com a força da grana?

Os principais candidatos do PSOL do Rio Janeiro já tinham carreiras políticas consolidadas, como Marcelo Freixo e Glauber Braga, ou ao menos tiveram votações expressivas, como Talira Petrone (107.317 votos). Logo, possuem menos margem para serem classificadas como candidaturas fake. Quem mais rivalizava com Jean, aparentemente era David Miranda, que pretendia avançar de vereador para deputado federal e também tem o ativismo LGBT como principal plataforma política.

Na eleição de 2018, Wyllys ficou com a última vaga do PSOL na Câmara pelo Rio de Janeiro, com inexpressivos 24.295 votos. Uma queda vertiginosa quando comparada aos 144.770 que obteve em 2014, deixando-o com pouca moral no partido. Logo atrás, na suplência, ficou Miranda com inexpressivos 17.356 votos e um "padrinho" bilionário por trás, com aparentes interesses em geopolítica na expansão do mercado de espionagem, atividades nas quais um mandado de deputado no Brasil poderia ser muito útil.

Enfim, não é implausível que as afirmações do pavão sejam verdadeiras e o ex-BBB tenha entregue o mandato por um conjunto de pressões, interesses próprios e / ou de terceiros. Há, no mínimo, supostos indícios que merecem ser investigados para que a justiça cumpra sua principal função: proteger os inocentes de estarem sendo injustamente acusados.

Veja o vídeo:

Herbert Passos Neto

Jornalista. Analista e ativista político.

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