Como o caso envolvendo Flávio Bolsonaro foi usado por Dias Toffoli em proveito próprio

Ao noticiarem o suposto “acordo entre Toffoli e Bolsonaro para salvar Flávio”, a imprensa tocou no calcanhar de Aquiles dos eleitores de Jair: o senso de justiça. Eles são mestres em revirar os miolos de quem acredita neles.

Numa longa lista de 20 nomes de parlamentares da ALERJ, o nome do filho do presidente aparece em 17° colocado, com 1.2 milhões de “movimentação suspeita” realizada por algum assessor.

Na verdade são 600 mil de entrada e 600 mil de saída de dinheiro no prazo de 2016 até 2017

Algo em torno de 50 mil por mês de dinheiro que podem ter saído dos bolsos dos funcionários de Flávio diretamente para a conta do parlamentar para financiar a próxima campanha e garantir o emprego de todos.

Ilegal? Sim... Mas é a prática mais antiga da história política! Aí na tua cidade acontece isso! Acontece de pessoas que estão empregadas devolverem voluntariamente ao partido uma porcentagem do salário para garantir o caixa das próximas eleições e no ano anterior ao pleito, a contribuição aumenta, eles mesmos garantem o dinheiro que será gasto em combustível e pessoal para acessarem os eleitores.

Campanha custa dinheiro e se for aprovado o fim do fundo partidário, a prática da “rachadinha” deverá ser legalizada, ou continuaremos fazendo de conta que ela não acontece bem embaixo do nosso nariz. A hipocrisia de sempre, sabe como é...

Foram 75 assessores da Alerj denunciados por movimentações financeiras atípicas, o topo é sempre deles PT (com 49 milhões) e PDT (com 30 milhões). Mas o que o COAF fez? O que a mídia fez? Quem é o único a ser demonizado?

Qual a atitude certa de Flávio neste caso?

Ele provocou o STF exigindo que o MP explique por quê teve suas contas devastadas e seu nome divulgado sem que ele fosse alvo de uma operação oficialmente (Inclusive, meses depois o Ministério Público assumiu que “cometeu um erro” ao avaliar os bens de Flávio, colocando como bens adquiridos imóveis que estavam financiados por anos, sendo pagos mensalmente).

Aí o STF que iria rasgar o processo de Flávio caso não tivessem complicados com o COAF também, resolveu usar o pedido de esclarecimento de Flávio para barrar todas as investigações via COAF (inclusive as que envolvem as esposas dos membros do STF). Perfeito!

Agora é só jogar na mídia que foi Flávio quem pediu e que o pai dele fez um acordo para que isso acontecesse, que a direita limpinha se afasta do clã Bolsonaro e a onda Bolsonarista perde força.

Os planos são sempre sórdidos e tudo se potencializa porque acompanhamos as notícias sem ter o poder de fazer relações entre elas.

Essa é minha dica! Registrem o que lêem e desenvolvam a habilidade de criar uma relação entre elas, por exemplo:

A denúncia contra Flávio - as denúncias contra os outros 19 parlamentares - as denúncias contra familiares dos membros do STF - o pedido de Flávio ao STF - a notícia de que o Ministério Público assumiu o erro de análise dos bens - a fala do ministro Marco Aurélio de Mello dizendo que costuma rasgar pedidos iguais aos de Flávio - a repentina mudança de opinião e a decisão do STF a favor de Flávio - a forma que a mídia usou isso para te convencer que há um acordo entre Bolsonaro e STF para salvar Flávio.

Por favor, desenvolvam essa habilidade de colocar todas as notícias numa linha do tempo e decifrar onde estão os pontos que as unem, reajam à mídia, não apenas absorvam o que é escrito nos jornais.

Começando agora, deixe teu comentário aí embaixo e tente relacionar uma notícia que corrobora, ou, enfraquece teu comentário, ou meu texto, farei questão de ler e responder no decorrer da semana.

Raquel Brugnera

Pós Graduando em Comunicação Eleitoral, Estratégia e Marketing Político - Universidade Estácio de Sá - RJ.

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