Hoje, 6 de setembro, é o dia do aniversário de Bernardo Uglione Boldrini: 17 anos

Nascido em 6 de setembro de 2002 e brutal e covardemente imolado em 4 de abril de 2014, o pequeno Bernardo da cidade de Três Passos, no Rio Grande do Sul, completaria hoje 17 anos.

O que aconteceu o país inteiro sabe. E chora de tristeza, que nunca terá fim. Foi crudelíssimo.

Mas a vida dos mártires é sempre dolorosa. Se já não vem ao mundo em meio à dor, o sofrimento da martirização irrompe no curso da vida. Mesmo os de tenra idade, como foi o caso dos inocentes-mártires de Herodes. Bernardo também era uma criança. Tinha apenas 11 anos.

Primeiro, faltou-lhe a mãe e desta se tornou órfão. E daí pra frente restou abandonado. Fora da casa do pai, famoso médico da pequena cidade gaúcha, buscou e teve os cuidados de parentes e vizinhos.

Mas o que "Bê", como era carinhosamente chamado, queria mesmo era o amor do pai. Amor que não teve.

Mas Bernardo não morreu. Bernardo vive.

Não, a vida temporária que a brutalidade humana com ela acabou. Bernardo vive a vida que não morre, porque no Reino da Eternidade para onde foi, "Bê" se acha emancipado do carinho e do amor que buscou, que não teve, e que agora distribui a todos que a ele recorrem.

"Bê" não cessa de nos amar, de pensar em nós, em todos nós, Basta direcionar o pensamento nele e pedir que Bernardo vem e intercede a Deus por nós.

É a dulcíssima imortalidade, necessariamente imaterial e incorpórea. A vida é eterna. E a eternidade está no Espírito e não na carne, que tem início, meio e fim.

E que a constatação de Odilo Scherer, quando o Cardeal falou sobre o "caso Bernardo", de que "as crianças e os idosos na sociedade ficam invisíveis e sem vez", desapareça de uma vez por todas de nosso país e de todos os povos. E em seu lugar pontifiquem o carinho e o amor. Sempre.

Bernardo viajou de Três Passos para ficar perto de Deus e ser elevado aos altares.

Bernardo, Bernardo, rogai por nós, os degredados filhos de Eva, que ainda aqui estamos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. E que depois deste desterro nos encontremos na Eternidade.

Jorge Béja

Advogado no Rio de Janeiro e especialista em Responsabilidade Civil, Pública e Privada (UFRJ e Universidade de Paris, Sorbonne). Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB)

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