Mafioso italiano vivia tranquilamente em Recife

Pasquale Scotti era um dos criminosos mais procurados da Itália. A Itália atribui a ele a participação em 26 assassinatos, entre 1980 e 1983

O italiano Pasquale Scotti, condenado a prisão perpétua na Itália, utilizava o nome falso de Francisco de Castro Visconti, viveu durante 30 anos no Brasil, é pai de dois filhos brasileiros e nunca havia sido incomodado.

Segundo autoridades italianas, ele foi chefe do "braço militar" de um grupo mafioso denominado Nova Camorra Organizada, de Nápoles.

A PF pediu ao ministro Luiz Fux, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, a transferência de Scotti para um presídio de segurança máxima.

O italiano deve ser levado para Brasília, onde aguardará a decisão do STF. Sua eventual extradição para a Itália passa a ser negociada entre o Ministério da Justiça, o Itamaraty e o governo da Itália.

Scotti chegou a ser preso na Itália em 1983, mas escapou no ano seguinte. Desde então, não foi mais visto e chegou a ser dado como morto.

A Itália atribui a ele a participação em 26 assassinatos, entre 1980 e 1983, além de crimes de extorsão, porte ilegal de armas e resistência. Em 2005, ele foi condenado à prisão perpétua na Itália.

Nesta terça, a prisão foi comemorada por autoridades italianas.

Em depoimento à PF, Scotti afirmou que chegou ao Brasil por volta de 1986, adquiriu documentos falsos de um homem em Fortaleza (CE), "vagou por vários Estados" até que, em 1995 ou 1996, conheceu outro italiano no Recife (PE), Roberto Pagnini, "um empresário aposentado que estava passeando no Brasil na condição de turista".

Com ele abriu uma firma de importação de alimentos. Eles também passaram a administrar uma boate. 

A boate é atualmente administrada pelo filho de Roberto, de nome Francisco Pagnini, que assim descreveu o mafioso italiano: "Era uma pessoa muito inteligente, muito fechado, era 'família', não falava mal de ninguém, era muito respeitado e respeitava muito as pessoas. Quando vi a notícia [da prisão], fiquei muito chocado realmente", disse Pagnini.

A sociedade com Pagnini se desfez, e ele virou gerente de uma empresa de fogos de artifício e shows pirotécnicos.

Scotti disse à PF que, quando saiu da Itália, "estava sendo processado criminalmente, mas não havia condenação definitiva". Afirmou não saber das acusações exatas.

No momento da prisão, o italiano disse à PF que "Pasquale Scotti não existia mais, eu sou só Francisco". A PF disse não ter indícios de que a família soubesse de seus antecedentes criminosos.

A polícia brasileira chegou a Scotti a partir de informações obtidas pela Interpol italiana em fevereiro. Os detalhes foram compartilhados e, a partir disso, começou a caça.

A confirmação foi feita com a comparação das impressões digitais de um banco de dados italiano com o registro da identificação civil de "Francisco de Castro Visconti" em Pernambuco.

da Redação

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