Nando Moura: O Rasputin da “direita brasileira”

Decepção. No momento que mais precisamos de união para denunciamos a imprensa progressista, O STF e seus desmandos, e a ala pró-bandidagem do legislativo, surge o ex-cabeludo pra dividir a direita entre apoiadores de suas ideias e inimigos a serem vencidos e odiados. Intolerável. Indesculpável. Será?

Conhecer uma pessoa em sua totalidade é impossível, mas dependendo do grau de intimidade, podemos prever e entender o proceder de alguém diante de certas situações. Um amigo sabe o que esperar de outro, sabe separar o ser real por trás da máscara, seja esta de ferro ou não.

Não sou amigo de Nando Moura, então não posso ir além do julgamento ordinário de quem acompanha o canal deste por bastante tempo.

O grande “traidor da direita” não está dividindo nada, pois nunca houve algo a ser dividido. Nunca houve essa “união” que alguns proclamam. Não há uma direita e sim “direitas”. Houve convergência em certos momentos, mas nunca união. Isso é um problema? Bem, se queremos ser gado, militância cega, então sim. Agora, para quem entende a importância da pluralidade para a formação de uma inteligência nacional que se iguale àquela que já tivemos, não.

Todo sábado vou a um restaurante local e sento a mesa com uma anarco-capitalista e um liberal econômico. Debatemos as notícias da semana e os principais eventos políticos enquanto bebemos. A cada encontro , acreditem, tenho a sensação de estar em algum círculo do inferno de Dante Alighieri. Concordamos quase em unanimidade sobre a economia, porém temos discordâncias fortes sobre como o governo deveria tratar a cultura e educação. Levo três livros, a anarco-capitalista leva sete e o liberal do grupo, bem, como bom playboy, leva no Apple uns 30 artigos que os cita com ar professoral... Antes um porte acadêmico que aturar o ar de deboche, ironia e sarcasmo da nossa versão anarco-capitalista da professora Paula Marisa, acreditem.

Encerramos a noite afirmando que não vamos nunca mais ter outro encontro, todavia, sempre quebramos a promessa. Economia é matemática, lógica, poucas nuances, mas cultura, educação e política vão além, requerem relegar o ideal em prol do possível; Não há soluções imediatistas.

Meus colegas de debate sabem que as diferentes linhas de direita possuem contexto histórico, autores e entendimento sócio-político próprios. Não há direita, mas direitas, repito. Nando não está dividindo nada, simplesmente ele está sendo o que sempre foi, um crítico, um tanto reacionário, verdade, porém inteligente o suficiente para suas ideias e apontamentos soarem coerentes.

Estejam livres pra discordar do "maluco", "traidor", novo "isentão", contudo a sua discordância não apagará tudo que ele fez pela democracia e pluralismo numa época que ninguém ousava ir contra a esquerda, fora o filósofo Olavo de Carvalho e alguns poucos jornalistas e escritores, claro. Nando está sendo uma voz diante de muitas outras, escute a mais razoável e bem embasada, depois, pesquise e se aprofunde no tema até o ponto de poder construir sua própria opinião. Seja cético diante de tudo e todos. Diante das narrativas diversas busque a solidez dos fatos.

Nessa grande fogueira das vaidades, perceba que você não precisa ouvir críticas direcionadas a pessoa, mas sim, às ideias. Sejamos nossas próprias luzes e líderes a promover mudanças onde temos poder e dever de realizar. Esqueçamos as falas parnasianas e vamos às ações estoicas.

Nando Moura, Allan Santos, professora Paula Marisa, Diego Rox, Lilo Vlog, são relevantes para a quebra da hegemonia da esquerda e devemos segui-los por causa do trabalho intelectual que estes realizam e da grande coragem que sempre mostraram. Abracemos o conhecimento e esqueçamos picuinhas.

A Esquerda lançou a narrativa que temos uma nação cada vez mais polarizada, sendo isto algo a se temer, contudo, o que ela quer é que a seguinte obviedade não fique clara na mente do povo: pela primeira vez, desde a redemocratização, temos um número crescente de jornalistas e artistas que se opõem a agenda esquerdista. Algo impensável para totalitaristas a existência de pessoas com relevância, inteligência e honestidade que tragam o contraditório a mesa e sejam combativas.

Não precisamos tornar aliados em inimigos mortais, não precisamos de marionetes que concordem com tudo o que dizemos, também. Como o professor Olavo em seus livros revela, a mudança sólida surge de baixo pra cima através da cultura; sendo esta ainda fortemente de esquerda e as universidades seguem gerando mais e mais falsos intelectuais pomposos a repetir as mesmas ladainhas. Antes de uma mudança cultural, houve uma vitória no plano político com a eleição de Jair Messias Bolsonaro como Presidente, necessária e bem-vinda embora inesperada. Sem essa vitória, talvez, fosse impossível mudar algo culturalmente depois de mais quatro anos de marxismo no poder.

Temos um plano politico favorável a mudanças positivas e devemos colocar em pedra através das artes, jornalismo e produção intelectual as atrocidades cometidas pelos socialistas. Precisamos seguir libertando a história da mordaça ideológica.

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.” John F. Kennedy

Carlos Alberto Chaves Pessoa Júnior

Professor. É formado em Letras pela UFPE.

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