TCE

O silêncio dos Cúmplices

Faço, de arrancada, uma pergunta dirigida à ONU de Michele Bachelet, comunista sempre tão preocupada com os “direitos humanos” (exceto os dos venezuelanos, que sofrem até a morte por tiros nas ruas, por fomes nos lares e por ausência de insumos hospitalares básicos na ditadura de Maduro): Por que o eloquente silêncio sobre o vazamento de óleo pesado venezuelano nas costas nordestinas do Brasil?

Uma tragédia, que deve ter dizimado boa parte da atividade pesqueira na região, inclusive a de preciosas lagostas (onde o STF vai comprá-las agora?), que vivem no fundo do mar - onde deve ter se depositado a maior parte do pesado petróleo venezuelano - não mereceria uma palavra de protesto da Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU?

Uma tragédia que retira das famílias de milhares de pescadores nordestinos o pão que as alimentava, não choca a Alta Comissária?

Este Comissariado que, no passado recente, se mostrou tão preocupado com a não participação, como candidato presidencial nas últimas eleições, de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, prisioneiro da Justiça em Curitiba? Este Comissariado que “exigia” a participação, como candidato, do ‘Princeps Corruptorum’, Lula, forçando até uma sessão do TSE para dirimir a óbvia questão? Agora resta calado, este Comissariado, ante tamanha ofensa ao meio ambiente e aos direitos humanos dos pescadores brasileiros do Nordeste?

E por falar em ofensa ao meio ambiente, por onde anda aquele Comissariado que há poucos dias anunciava, fazendo coro com Macron, a incineração (por culpa de Bolsonaro, claro) da Amazônia?

E já que tocamos em Macron, onde anda este ‘fils de pute’, este medíocre, ontem tão preocupado com o falso “pulmão do mundo” (a Amazônia), que agora se queda calado ante a destruição do verdadeiro pulmão do mundo, os planctos e algas do mar que produzem o oxigênio que consumimos?

Ou será que ainda não se recuperou do ‘Knock Down’ recebido de Bolsonaro na ONU? Ou ainda – como nunca tive dúvidas – por trás do tal discurso do “pulmão do mundo” jazem as nossas imensas riquezas minerais que a França, um dos mais deletérios colonizadores do mundo, segundo a História, deseja botar as mãos? Respeito ao meio ambiente, afinal, é o que a História Colonial da França jamais demonstrou. O Haiti é emblemático desta afirmação.

(Nota entre parêntesis: Cerca de 55% do oxigênio gerado na Terra tem origem nas algas que povoam os oceanos, lagos e rios. A produção de oxigênio nas florestas tropicais, embora significante, é quase que integralmente absorvida por ela própria nos processos de respiração e decomposição. No balanço final, cerca de um metro quadrado de superfície de água produz o equivalente a dez metros quadrados de floresta. Portanto, aqueles 55% de oxigênio gerados pela fotossíntese de algas representam quase que a totalidade do oxigênio que inunda nossa atmosfera. Falar, pois, que a Amazônia é o pulmão do mundo significa uma das duas coisas: ou profunda ignorância, ou tremenda má fé. Definitivamente, a Amazônia nada tem de pulmão do mundo. Este título cabe, com todas as honras, aos oceanos, lagos e rios, somados.)

Já que estamos falando de notórios calados sobre o desastre ecológico produzido no Nordeste brasileiro com petróleo venezuelano, não dá para fingir que não observamos o mutismo eloquente do papa Francisco sobre o tema. Sobre o derramamento (acidental ou proposital, é o que se busca saber) de petróleo bolivariano na imensa costa nordestina, nenhuma palavra, até agora, do sumo-pontífice. Que se danem, é o que parece dizer o mutismo papal, os danos ecológicos causados pelo petróleo despejado no Nordeste brasileiro.

Entretanto, sobre a Amazônia o papa parece absolutamente alinhado com o presidente francês Emmanuel Macron. Ao convocar o Sínodo da Amazônia - que vai até o dia 27 de outubro corrente - o papa, em outubro de 2017 já enunciava seus objetivos enunciáveis ao público em geral:

“... encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do povo de Deus, sobretudo os indígenas, muitas vezes esquecidos e sem uma perspectiva de futuro sereno, o que decorre por causa da crise da floresta amazônica, pulmão de fundamental importância com nosso planeta. ”

Pulmão de fundamental importância para o mundo, um santinho!

Releia, leitor, o que foi escrito acima sobre quem é o grande provedor do oxigênio de nossa atmosfera. Felizmente, o papa, ao ditar tamanha tolice, não estava (presumo) falando ‘ex Cathedra’, isto é, sentado no Trono de São Pedro, caso em que este absurdo fotossintético passaria a ter valor de dogma, ou seja, de verdade divina, imutável e eterna.

Algo como o dogma da Imaculada Conceição, que se tornou verdade divina - já que proclamado ‘ex Cathedra’ pelo pontífice – ou seja, da concepção de Maria sem interferência de homem. Ou o Dogma do geocentrismo, que proclamava como verdade divina, imutável e eterna, o sistema geocêntrico de Aristóteles, no qual a Terra era o centro do universo e todos os demais astros giravam em torno dela, em esferas de cristais bem determinadas. Todos sabemos o que a ciência fez desta verdade eterna e imutável.

Mas, o besteirol do “pulmão do mundo” a justificar o Sínodo da Amazônia não é o único ponto criticável da convocação papal. Primeiro, note-se que a população indígena da Amazônia (portanto a população a evangelizar) constitui apenas 1% da população total daquela área. Portanto, no que concerne a evangelização mesmo, não é numericamente relevante o que resta a fazer.

E diz mais o pontífice:

“...muitas vezes esquecidos e sem uma perspectiva de futuro sereno, o que decorre por causa da crise da floresta amazônica, pulmão de fundamental importância com nosso planeta.”

Ora, aqui vai uma acusação direta ao governo brasileiro que, entendo, não deveria ficar sem resposta. Quem é o responsável acusado de “esquecer o povo amazônico”, de não lhes dar uma “perspectiva de futuro sereno”?

Certamente o governo brasileiro. O papa está apontando o dedo acusatório contra o governo brasileiro, não só o atual, mas os demais do passado. É uma petulância e tanto, vinda deste dito pontífice.

Mas não para aí o dedo duro do papa. Ele fala de uma “crise amazônica”, claramente atribuída aos incêndios florestais que sempre se verificaram, hoje menos do que nunca. Ora se existe uma “crise amazônica” deve existir um responsável por ela: obviamente o governo brasileiro, o atual e os passados. Repito: isto não pode ficar sem resposta.

E o papa quer resolver a “crise amazônica”, que ele próprio aponta, com a “evangelização” de 1% de sua população! A evangelização de 1% da população amazônica deverá, como a História tem revelado alhures, resolver a “crise amazônica” e dar aos amazônicos a “perspectiva de um futuro sereno”, coisas em que os governos brasileiros falharam, segundo Francisco, e que a Igreja pretende agora resolver! Isto é tão sério e será tão eficaz, quando o foi o dogma do geocentrismo do universo, que levou à fogueira da Inquisição o contestador ilustre Giordano Bruno e à retratação (para não morrer) e à prisão domiciliar perpétua Galileu Galilei, uma das glórias do gênio humano.

Será tão eficaz, esta evangelização, para a solução da “crise amazônica” quanto o dogma, proclamado ‘ex Cathedra’ por Pio XII, da Assunção aos Céus, em carne e osso, de Maria. Feito que nem a astronomia moderna nem o mapeamento do universo pela sonda da NASA, a WMAP, conseguiram comprovar.

Enquanto isso, o silêncio ensurdecedor sobre a catástrofe ecológica real - feita com petróleo bolivariano - de Bachelet, Macron, papa Francisco e a esquerda nacional é o que se poderia chamar, com muita propriedade, de o Silêncio dos Cúmplices.

O silêncio dos Nada Inocentes.

José J. de Espíndola

Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.

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