Temer, o amuado adolescente ou um mestre capcioso?

Michel Temer encaminhou uma carta escrita (não um e-mail) no velho padrão, de caráter estritamente pessoal, de desabafo pessoal, dizendo à Presidente que, os fatos relatados comprovam que ela nunca nele confiou, não confia e não confiará.
Primeira conclusão importante: ele se afasta dela, não cumprirá nenhuma nova missão em nome dela, porque ela não confia nele. Tampouco dará qualquer conselho ou consultoria porque sabe que ela não as considerará. 
Não se negará a conversas, mas apenas protocolarmente. Não é uma ruptura formal, mas de fato. No mínimo uma "separação de corpos" e um afastamento real.
Segunda conclusão: ele não irá pacificar o PMDB. Irá respeitar as lideranças que se aliaram ao Governo, em troca de cargos e favores. Mas irá trabalhar a base para deixar o Governo. Os governistas passarão a ser os dissidentes e perderão espaço na hipótese do impeachment de Dilma. Temer irá trabalhar, discretamente, mas junto com Eduardo Cunha, esse abertamente para destituí-los dos cargos de liderança, nas eleições de fevereiro de 2016.  Pode ser antecipado.
Terceira conclusão: ele se livra da incumbência de coordenar a defesa jurídica da Presidente, usando do seu conhecimento de constitucionalista e das relações com o meio jurídico. Se não foi chamado para opinar sobre a indicação dos Ministros do Supremo, porque aceitar agora para opinar, contrariando o seu pensamento? Ele entende que houve fundamento jurídico para a aceitação da abertura do processo de impeachment. Basicamente por razões técnicas. 
Como constitucionalista não aceita a tese esdrúxula, do ponto de vista da jurídico, de "golpe institucional ou constitucional". Se está na Constituição não é golpe. Se não está na Constituição é golpe, mas não constitucional ou instituicional.  O pedido de impeachment e sua aceitação não é golpe, do ponto de vista constitucional. É uma versão de cunho político para mobilizar os contrários ao afastamento de Dilma. Melhor não chamá-lo porque se o fizer dará  parecer contra os interesses do Governo.
Para fugir dessa incumbência, preferiu o caminho de um desabafo pessoal, mas que conclui com um afastamento.  
Consideradas as conclusões, a pergunta é: por que ele usou o meio de uma carta escrita de caráter pessoal, sigilosa, e não uma manifestação política?
Segundo a teoria da conspiração, em primeiro lugar por estratégia capciosa. Com uma carta de cunho pessoal, não precisava consultar previamente ninguém. Deveria, em função da importãncia do seu cargo público, mas não precisava. Com o tom de mágoa e desabafo rompeu, sem ter rompido. Tipico de um político experiente e insidioso.
Mais ainda. Os episódios relatados não são aleatórios. Ele está batendo no que sabe que ela vai sentir. Ele conhece os pontos fracos emocionais dela. Os outros podem não entender, mas ela vai entender bem. Vai ou ficou  furiosa, mas não pode rebater.
Escrevendo e encaminhando uma carta estritamente pessoal, esta deveria ficar restrita a ele e à destinatária, mas sabia que seria vazada. Vai se recusar a continuar discutindo os itens da carta, argumentando que são questões privadas, um desabafo pessoal, mas teve o efeito que queria. Também isso não foi acidental. Foi premeditado.
E os efeitos sobre o PMDB já se manifestaram na votação sobre a formação da Comissão Especial que irá avaliar a admissibilidade ou não do pedido de impeachment.  
Jorge Hori

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