Lealdade, um valor esquecido? Nem tudo são joices, bivares e waldires...

Nos políticos brasileiros, é especialmente notável o ‘pragmatismo’, um eufemismo para traições, vira casacas e oportunismo barato.

O tal pragmatismo explica também a falta de coerência e ausência de ética que marca a politicalha especializada em passar por cima de todo e qualquer conceito de lealdade para conseguir o que quer.

Essa elasticidade sacana se manifesta quase sempre nos momentos em que, atraídos pelo pote de ouro que surge repentinamente a sua frente, os gajos esquecem todos os compromissos assumidos.

É o caso recente do barraco no PSL, que vislumbra no horizonte a possibilidade de meter a mão em 500 milhões de reais para fazer a farra do fundo partidário e aumentar seu poder.

O que, na roda suja da política, lhe garantirá mais 500 em 2022, e assim por diante.

Registrar a suja conduta de figuras como a deputada ególatra louca por cliques, eleita na cola de Bolsonaro por quem não manifesta um mínimo de lealdade, ou do desbocado deputado de Goiás que num momento de insanidade chama o presidente de vagabundo é preciso.

Ou do presidente do partido, Luciano Bívar, que agora se transforma, convenientemente, em inimigo de Bolsonaro que quer cortar suas asinhas e impedir que meta a mão - um perigo - nessa grana toda.

Bivar, que não é um sujeito nada confiável, tem em seu curriculum algumas façanhas como a de ter confessado o suborno de membros da Confederação Brasileira de Futebol para que o técnico Leão contratasse um jogador.

Folclore, neste país.

Além de investigado pela PF pela candidatura de laranjas, Bivar é considerado um tiranete arrogante que não dá satisfação de suas peripécias a ninguém.

Mas nem tudo são joices, bivares e waldires, felizmente.Existem os poucos que ainda mantém coerência e lealdade a seus princípios e compromissos.

Nesse caso, vale dar a importância devida à parlamentares como Carla Zambelli, Alê Silva, Felipe Barros, Carlos Jordy e Bibo Nunes, punidos pelo PSL por se manterem leais a Bolsonaro.

Por manterem a coerência.

Lembro ainda de quando organizamos uma visita de nossos grupos de motociclistas à Bolsonaro, hospitalizado em função do atentado.

Lá estava Carla Zambelli tentando organizar tudo e dando apoio ao presidente.

Como sempre esteve.

Bom saber que continua coerente com sua luta, e leal a seus princípios.

Neste novo momento do país, há que se valorizar essas pessoas.

O resto é apenas o resto.

E, ao contrário do que imaginam, o pragmatismo sujo já não é um grande negócio.

Tem seu preço, e será cobrado.

Hasselman, por exemplo, a obcecada por cliques e seguidores, acaba de perder 200 mil deles por aí, nas redes sociais.

E vai perder mais.

Já dizia minha sábia avó, em outros tempos, que não é lá muito inteligente cuspir no prato em que se comeu.

Marco Angeli Full

https://www.marcoangeli.com.br

Artista plástico, publicitário e diretor de criação.

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