Grupo anticorrupção da OCDE vê retrocessos no Brasil

O grupo de trabalho anticorrupção da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) deve vir ao Brasil em novembro para averiguar a situação do país quanto ao combate à corrupção. O grupo se diz preocupado com o que vê como “retrocessos” nessa área nos últimos meses no país.

O esloveno, Drago Kos, chefe do grupo de trabalho, cita a lei de abuso de autoridade aprovada pelo Congresso, a suspensão das investigações embasadas em dados do COAF declarada por Dias Toffoli e a decisão do STF que restringiu a capacidade de auditores da Receita Federal em detectar, denunciar e investigar corrupção ou lavagem de dinheiro.

Para o país ser admitido na OCDE, todos os grupos de trabalho precisam aprovar a candidatura do país e, para Kos, apesar de ainda não sabermos se estamos diante de um retrocesso temporário ou de uma situação sistêmica, a candidatura do Brasil ainda tem boas chances.

Em termos gerais, e do ponto de vista do combate à corrupção, o Brasil com certeza merece entrar na OCDE. É verdade que ainda temos que descobrir se estamos diante de retrocessos na área, mas ainda que haja agora uma situação problemática, certamente podemos lidar com ela e construir soluções. Na nossa história, vimos países em condição muito pior que o Brasil e mesmo eles foram capazes de chegar a bom termo para lidar com suas brechas e falhas sistêmicas – Explicou à BBC Brasil

Kos, que acompanha o caso brasileiros desde 2014, fez questão de enaltecer os policias e investigadores brasileiros que atuam no combate à corrupção, ms mostrou preocupação com o que vem acontecendo.

No grupo anticorrupção estamos estudando o Brasil há muitos anos. No começo, o Brasil estava longe de ser o melhor aluno da classe. Durante o caso da Lava Jato, sua polícia, investigadores, procuradores e juízes fizeram coisas que superaram o trabalho feito em muitos outros países. Eles melhoraram tanto que são considerados uns dos melhores nisso no mundo.
Essa semana, no entanto, fizemos um comunicado público porque estamos preocupados com o que tem acontecido. Esperamos que não seja um grande movimento de retrocesso e sim apenas movimentos infelizes de algumas autoridades. Por isso estamos indo ao Brasil, para ver diretamente o que está acontecendo e estar em posição de avaliar se a vontade do Brasil de combater a corrupção ainda segue em alto nível ou está de
da Redação

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