A prova maior da cegueira ideológica da imprensa brasileira

As redações estão em festa. Não há como disfarçar. De Leonardo Sakamoto a Reinaldo Azevedo, passando por Josias de Souza, todos lançam seus alertas.

O "neoliberalismo" chileno não funciona.

Esse mesmo neoliberalismo que é tão ruim que a esquerda chilena não se atreveu a tocar nos 20 anos ininterruptos em que governou o país, de 1990 a 2010.

Esse mesmo neoliberalismo que fez o PIB per capita chileno multiplicar-se 7 vezes entre 1980 e 2013. PIB per capita que era 1/4 do da Argentina peronista em 1980, e hoje é 40% maior.

O neoliberalismo chileno não funciona, porque há protestos nas ruas. Mas também há protestos no Equador de Lenín Moreno, do esquerdista Alianza Pais, e sobre esses só se ouve o silêncio. Há protestos na Venezuela de Nicolás Maduro, mas esses sumiram do noticiário. Protesto que dá gosto cobrir é contra governos "de direita".

Mas talvez a prova maior da cegueira ideológica da imprensa brasileira é que, desde a moratória britânica de 1976, literalmente, pelo menos uma social democracia quebra todo ano no mundo. Quebra mesmo, não é que tem protesto e passeata não. Quebra de declarar moratória, suspender salários de servidores, atrasar aposentadorias de velhinhos.

Não estou nem falando daqueles países que adotam o manual marxista full-retarded, em que depois de um tempo, invariavelmente, você vê gente dando os cachorros de comer pros filhos, e pelo qual 98% dos jornalistas brasileiros se derretem de amor.

Não, estou falando só da boa e velha social democracia, aquela coisa de usar o Estado pra distribuir renda, que castrou países tão díspares quanto Brasil, Argentina, Portugal, Espanha, Grécia, Itália e até mesmo a França e a Inglaterra.

E eles continuam vendendo o "público, gratuito e de qualidade" como o passaporte para o céu na terra.

Mas sabem o que tem quebrado mais rápido que as sociais democracias incensadas pelas redações de jornais pelo mundo?

Isso mesmo: as redações de jornais.

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