A pergunta que precisa ser respondida: A quem serve o zelador?

No calor do momento, você descobre, com exclusividade, que há um depoimento de um zelador do condomínio do presidente da República, ligando-o, ainda que indiretamente, aos assassinos de Marielle.

Minutos depois, também se depara com a informação que o então deputado Bolsonaro estava em Brasília. Não só por registro na Câmara, por votação, mas com vídeos feitos na cidade.

Por mais que este fato quebre o “barato” da descoberta inicial, inundando seu chopp com água fria, é preciso, por dever de ofício, informar a população. Mas da forma adequada, com uma “nota de rodapé”, um adendo, um pequeno informe, pois os fatos demonstram que não apenas o então deputado não participou, como, ao que tudo indica, alguém quer ligá-lo ao acontecido.

Diante disso, mais recomendado do que soltar uma pequena nota, é perceber o óbvio: a notícia importante não é mais o Presidente da República, mas quem quer incriminá-lo.

Quem tentou levar você, jornalista, ao erro. Ou não apenas você, mas a polícia em si - uma constante no caso Marielle, inclusive. O que causa um sofrimento infinito aos familiares da própria.

Mas, infelizmente, tudo acima não foi seguido. Ao contrário. Dizer que a reportagem mencionou que Bolsonaro estava em Brasília não anula a decisão irresponsável de levar ao ar a matéria sem a devida apuração do contexto geral. Só prova que deveriam ter investigado melhor - ainda que por mais 24h.

O zelador estava falando a verdade? O depoimento é verdadeiro? A portaria, como sai agora nos noticiários, tem ainda os originais? Nestes originais, consta algo?

Quem ganha tentando ligar o presidente ao assassinato de uma então desconhecida parlamentar do município do Rio, sem poder à época, e que não ameaçava de forma alguma o “nicho” do presidente?

Até estas perguntas serem respondidas. O melhor seria aguardar.

Aguardar não é prevaricar, não é omitir, não é mentir para a população.

É ter uma fome insaciável pela verdade dos fatos, e quando estes estiverem claros, na mesa, expostos, aí sim levá-los ao público. Para que este decida no que acreditar.

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