Nova carta para Jô avacalha o conteúdo da carta infame a Bolsonaro, divulgada pelo humorista

Jô Soares não conseguiu agradar com sua carta dirigida ao presidente Jair Bolsonaro, publicada no jornal Folha de S.Paulo, tentando ridicularizá-lo com ironias e infâmias. Nas redes sociais se acumulam postagens detonando o apresentador e humorista.

O próprio Jornal da Cidade Online publicou uma carta que viralizou.

Na sequência, outras cartas foram enviadas para nossa redação.

Uma, em especial, assinada por Jayme Guedes Filho, merece ser publicada, pois o autor conseguiu, em poucas linhas, demonstrar com precisão a bizarrice do texto do afamado ex-global.

O autor classifica a carta de Jô como nota nove quanto à forma, explicando que “alcançou o objetivo de vaidosamente exibir cultura”. Porém, nota um, quando ao conteúdo, pois é vazia.

“São duas as mensagens a extrair-se da sua cartinha.
No que se refere à forma, a mensagem é: vejam como sou culto. Já no que se refere ao conteúdo a mensagem é: vejam como sou burro.”

Abaixo a íntegra da carta de Jô e a resposta assinada por Jayme Guedes Filho:

A Carta de Jô:

Très cher président: “Quo usque tandem abutere patientia nostra?!”
Frase que, em latim, vossa excelência, melhor latiador do que eu, conhece perfeitamente, foi dirigida em quatro cartas do senador e escritor romano Cícero ao Senado e ao povo em relação a Catilina, militar e senador que pretendia derrubar a República. Veja que ousadia! Isso antes do AI-5!
Mas o que me leva a esta monótona missiva é associar-me a vossa excelência no episódio do leão contra as hienas.
Realmente é um excesso de diversos predadores a atacar um leão solitário, tentando proteger-se e aos seus filhotes: são chacais supremos, racuns, capivaras e gambás, sem falar das folhas, cujo destino é inominável, e das eternas hienas globais.
A calúnia não para! Agora, querem lhe responsabilizar pelo fato de sua ilibada residência localizar-se na mesma região onde, por uma coincidência estúpida, habitava também um certo Ronnie, de alva notoriedade (mas em outro lar doce lar, é claro!). Sem nenhuma ligação, um valhacouto de papalvos!
(Para os menos ilustrados: 1- Valhacouto: lugar seguro onde se encontra refúgio; abrigo, esconderijo; o que se usa para encobrir o aspecto de uma coisa, ou as intenções de alguém; disfarce, dissimulação; 2 - Papalvo: diz-se de indivíduo simplório, pateta ou tolo.)
Voltando ao tema principal: cheguei a pensar, quando vi o vídeo (por sinal, parabéns pela montagem), que talvez a figura de Mogli, o Menino Lobo, criado na selva, enfrentando múltiplos perigos, fosse mais adequado a vossa excelência.
Meditei muito, passei a noite sem dormir, mas antes de apagar a luz estava começando um filme da Metro com aquele rugido característico: para mim, aquela mensagem foi decisiva. Pude finalmente dormir em paz: a sua definição é perfeita: vossa excelência é o leão. Vossa excelência é o rei dos animais!
Jô Soares
Humorista, escritor e influenciador analógico

A resposta:

Também tenho uma cartinha, ops, melhor dizendo, um bilhetinho para o Jô.
Jô, tudo é forma e conteúdo.
Quanto à forma dou nota nove ao seu texto pois alcançou o objetivo de vaidosamente exibir cultura.
Saudação em francês. Citação em latim. Conhecimento de história e vasto vocabulário. Embora tudo muito superficial, para a cultura média do brasuca é muito.
Já quanto ao conteúdo, que é o pensamento, dou nota um. O conteúdo é vazio.
São duas as mensagens a extrair-se da sua cartinha.
No que se refere à forma, a mensagem é: vejam como sou culto. Já no que se refere ao conteúdo a mensagem é: vejam como sou burro.
O conteúdo é vazio, boboca e desonesto.
A referência a ter um bandido como vizinho é ridícula. Você certamente também tem bandidos como vizinhos.
A diferença entre bandido vizinho do Bolsonaro e o seu é só a distância.
A outra referência que fala em defesa da cria é burrice explícita.
Alguém defendeu mais a cria do que o seu Luladrão? Pense na fortuna dos filhos do Lula.
Jô Soares, você até pode orgulhar-se de ser uma enciclopédia ambulante, mas é muito burro.
Descubra que a linguagem é só o vestuário com que o pensamento se apresenta.
De que adianta alguém, absolutamente disforme, apresentar-se num concurso de beleza com uma vestimenta belíssima?
Por derradeiro, recomendo que procure um analista.
A sua cartinha rescende a inveja e frustração.
Como a Globo, ou melhor, como a audiência da Globo pôde dispensar alguém tão culto?
O analista irá ajudá-lo a lidar com essa frustração.
Jayme Guedes Filho
da Redação

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