Artigo memorável de Augusto Nunes desnuda a Globo: “Informa na surdina a implosão da mentira que divulgou com estardalhaço”

Depois dá surra que deu no pseudojornalista Glenn Greenwald, o gigante Augusto Nunes volta ao ‘ringue’ ainda mais preparado e implacável.

Desta feita para uma ‘surra moral’ na empresa dos irmãos Marinho.

Em artigo publicado nesta sexta-feira (22) no portal R7, o jornalista desnudou a canalhice da emissora.

Eis o texto irretocável:

“Os primeiros segundos do Jornal Nacional de 29 de outubro incorporaram o presidente da República ao elenco dos envolvidos na trama que resultou na execução de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Em dois depoimentos à polícia civil do Rio, informou o apresentador, o porteiro do condomínio onde vivia Jair Bolsonaro contara que, no dia da morte da vereadora, um dos assassinos estacionou seu carro na entrada e pediu autorização para visitar a casa do então deputado federal.”

O tal ‘apresentador’ era o afamado William Bonner, outrora respeitado e dono de enorme credibilidade. Presentemente, tão decadente quanto a sua empregadora.

E Augusto Nunes prossegue em seu desmoralizante relato:

“De acordo com o depoente, a entrada foi liberada pelo interfone por "seu Jair. Ao notar que o visitante rumara diretamente para o endereço do segundo acusado pelo assassinato, o porteiro ligou de novo para "seu Jair", que renovou a autorização. A segunda notícia lida pelos apresentadores colidiu frontalmente com a primeira: fotos e anotações colhidas pelos repórteres da Globo constataram que Bolsonaro passara aquele dia em Brasília, e estava no Congresso quando o porteiro imaginava conversar com ‘seu Jair’.”
“Constatado o irremovível impedimento geográfico, um editor sensato teria poupado os espectadores da invencionice insustentável. 'Falso testemunho de porteiro tenta envolver Bolsonaro no caso Marielle', teria informado o JN. O protagonista da história mal contada, evidentemente, não era Bolsonaro. Era o funcionário do condomínio que declamara duas vezes uma fantasia tão crível quanto um álibi de Lula.”

A surra moral:

“Escrevi 124 reportagens principais da revista Veja. Jamais desperdicei títulos ou parágrafo iniciais com inverdades. Diretor de redação de quatro jornais e três revistas, monitorei a montagem de quase 10.000 primeiras páginas e capas. Nunca permiti que qualquer mentira virasse manchete. Escapei de naufrágios superlativos por saber que a soberba é uma parceira perversa, que desaconselha a partilha de decisões com tripulantes experientes.”
“Se me coubesse a palavra final, suspenderia a publicação da reportagem até decifrar o estranho comportamento do porteiro. O diretor de Jornalismo da Globo achou que merecia outra nota 100. Ou achava até esta terça-feira, quando se conheceu o teor do novo depoimento prestado pelo errático guardião do condomínio. Agora ouvido pela Polícia Federal, o informante garantiu que não aconteceu nada do que jurou ter acontecido em dois interrogatórios.”
“Naquele dia, nenhum visitante pediu autorização para dirigir-se à casa de Bolsonaro. Não houve conversa alguma com "seu Jair". As anotações no livro de registros certamente foram ditadas pelo cansaço mental. Tudo somado, o depoimento avisa que o Jornal Nacional assustou o Brasil amparado numa fantasia costurada para instalar o presidente na cena do crime.”

E arremata o grande jornalista:

“Atropelada pela certeza de que iludira a plateia, a Globo consultou a cartilha do jornalismo sem compromisso com a verdade. E registrou em surdina, com a discrição de uma carmelita descalça, a implosão da mentira que noticiou com o estardalhaço de quem torce para que aconteça o que lhe convém.”

Que lástima, Rede Globo!

da Redação

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