O inesquecível Clodovil, o 1º deputado federal declaradamente gay do Brasil, mas a favor da “família” (veja o vídeo)

Apesar de a extrema esquerda querer diminuir, ou mesmo ocultar, a figura de Clodovil Hernandes, impondo o ex-BBB Jean Wyllys como o primeiro deputado federal assumidamente gay, a verdade sempre permanece. Clodovil foi sim o primeiro congressista declaradamente homossexual. Mas existe um detalhe que torna sua lembrança intragável para parte dos radicais de esquerda: ele era a favor da família e a exaltava como a célula mater da sociedade. “Todos nós nascemos de uma mulher”, costumava dizer.

Reconhecendo a importância do estilista e comunicador, muito conhecido por sua atuação como apresentador de TV nos anos 80, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), apresentou uma proposta de homenagem ao parlamentar.

Ela protocolou o Projeto de Resolução nº 122/2019 que denomina “Plenário Deputado Clodovil Hernandes” o plenário nº 02 do Anexo II da Câmara dos Deputados.

“Clodovil foi uma grande figura no Brasil. Ele conseguia viver a intimidade dele como quisesse, mas respeitando a família, a religião das pessoas, o pensamento das outras pessoas. Ele é um símbolo do nosso respeito à homossexualidade”, ressaltou a deputada em entrevista exclusiva à TV Jornal da Cidade Online.

Curiosidade: Clodovil tinha uma boa relação com nosso presidente. Na época em que ambos eram deputados, Bolsonaro chegou a elogiá-lo, dizendo que o parlamento seria muito melhor se tivesse a pureza de alma que Clodovil tinha. E ainda há quem diga que o presidente é homofóbico...

A misteriosa morte do incorruptível Clodovil

Natural do interior de São Paulo, Clodovil começou sua carreira como costureiro no final da década de 1950, consagrando-se na década de 1970, ao lado de outros grandes pioneiros como Dener Pamplona de Abreu (1937-1978). Com seu ateliê baseado em São Paulo, ele desenhou roupas para mulheres da alta sociedade, mas também se dedicou ao prêt-à-porter, voltado para um vestuário mais popular, e aos figurinos para cinema. Ele defendia a importância e o fortalecimento da moda brasileira no cenário internacional.

O deputado e estilista faleceu em 2009, aos 71 anos de idade, em circunstâncias que nunca foram bem esclarecidas. O também estilista Ronaldo Ésper afirmou que Clodovil foi assassinado porque apresentou um projeto de redução do número de deputados no Congresso. Ele afirmou, ainda, que os deputados não estavam aceitando que uma “bicha inteligente” como Clodovil tivesse bolado um projeto de lei tão brilhante, que ia atrapalhar a vida de muita gente. Por isto, segundo ele, a morte de Clodovil foi planejada, para que o projeto fosse “esquecido”.

Além de sugerir a redução pela metade do número de deputados, ele também foi autor de propostas como regulamentação da união civil de homossexuais; obrigatoriedade das escolas divulgarem a lista de material escolar 45 dias antes da data final para a matrícula; obrigatoriedade da menção dos nomes dos dubladores nos créditos de obras audiovisuais; e a criação do Dia da Mãe Adotiva, para valorizar aqueles que adotam crianças órfãs.

Sem herdeiros, o deputado e estilista decidiu doar seu patrimônio para a criação de uma fundação beneficente que cuida de meninas carentes e abandonadas. Em 2011 foi criado o Instituto Clodovil Hernandes, como forma de preservar a memória do artista, comunicador e político.

Clodovil: Esquecido ou renegado pelo movimento LGBT?

Para lembrar os 10 anos da morte dessa personalidade tão querida, polêmica e emblemática, foi lançada em março deste ano a campanha Clodovil Presente, que contou inclusive com o apoio do deputado federal Marco Feliciano. Em entrevista, o parlamentar destacou que Clodovil não é reconhecido pelo movimento LGBT.

“Que o Brasil se lembre desse grande homem, o primeiro homossexual a assumir aqui na Casa e que nunca é lembrado pelo movimento LGBT, muito prestigiado aqui nessa comissão. Clodovil mostrou que é possível ser uma pessoa de viés ideológico diferente que comunga e conversa com todas as pessoas”, ressaltou.

Relembre algumas frases de Clodovil Hernandes:

“Já sei que vou ser assediado o tempo inteiro em Brasília, porque as pessoas pensam que eu sou um idiota, que vou lá fazer frescura na Câmara, não! Viver é um ato político”.
“Se o Collor tinha aquilo roxo, o meu é cor-de-rosa choque. O vencedor nessa campanha não foi Maluf, nem o Russomano. Fui eu”.
“Eu não vou me meter a fazer leis, porque não sei fazer isso. Eu sei avaliar se ela é boa ou ruim. Mas isso não é a minha proposta. Minha proposta é transformar o poder numa coisa boa e útil para todos nós”.

Veja o vídeo:

da Redação

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