A resposta da Lava Jato contra a irresponsabilidade de Dias Toffoli

Procuradores reagiram às irresponsabilidades assacadas pelo ministro Dias Toffoli contra a operação Lava Jato:

Roberson Pozzobon (Procurador da República. Integrante da Lava Jato em Curitiba)

Respeitosamente, Min. Toffoli, a Lava Jato não “destruiu” empresa nenhuma. Descobriu graves ilícitos praticados por empresas e as responsabilizou, nos termos da lei. A outra opção seria não investigar ou não responsabilizar. Isso a Lava Jato não fez.
Dias Toffoli disse que “o Ministério Público deveria ser uma instituição mais transparente”. Interessante comentário de quem determinou a instauração de inquérito no STF de ofício, designou relator “ad hoc” e impediu por meses o MP de conhecer a apuração.
O ministro designado “ad hoc” (para uma função específica) como relator desse inquérito, sem a realização de sorteio, foi o Min. Alexandre de Moraes.

Roberto Livianu (procurador de Justiça SP)

Afirmação de que Lava Jato destruiu empresas inverte a ordem natural de tudo. O que deveria fazer? Omitir-se diante de tantas evidências graves? Então o médico é o culpado pelas doenças que procura curar? O decote generoso é o culpado pelo estupro?

Carlos Fernando dos Santos Lima (Ex-chefe da Força Tarefa da Lava Jato):

"Toffoli, a figura mais rejeitada do país, aquele que vem tomando medidas que estão destruindo a reputação do STF, aquele que instaurou um inquérito secreto, ilegal, sem objeto, sem distribuição, sem qualquer transparência, vem falar mal do Ministério Público e da Lava Jato.
Cômico e trágico ao mesmo tempo.
O que destrói empresas é a ganância do lucro fácil, da ausência de concorrência, dos cartéis, da corrupção que a operação Lava Jato mostrou.
Não se combate um câncer sem quimioterapia. Não se combate uma infecção sem antibióticos. Não há como ir termos um país melhor sem instituições melhores, livres da corrupção. Infelizmente nossa República do Compadrio, aquela que beneficia amigos, coloca muitas pessoas não qualificadas em altos cargos. E estes acabam acreditando que são supremos."

Deltan Dallagnol (Procurador da República e coordenador da Lava Jato em Curitiba):

Dizer que a Lava Jato quebrou empresas é uma irresponsabilidade:
1. É fechar os olhos para a crise econômica relacionada a fatores que incluem incompetência, má gestão e corrupção.
2. É culpar pelo homicídio o policial porque ele descobriu o corpo da vítima, negligenciando o criminoso. Os responsáveis são os criminosos. A Lava Jato aplicou a lei.
3. É, assim, fechar os olhos para a raiz do problema, a prática por muitos políticos e empresários de uma corrupção político-partidária sanguessuga, que drena a vida dos brasileiros.
4. É fechar os olhos para o fato de que a Lava Jato vem recuperando por meio dos acordos mais de R$ 14 bilhões de reais para os cofres públicos, algo inédito na história.
5. Seguiremos aplicando a lei, que ainda é muito inefetiva no Brasil. Nos Estados Unidos, a prisão acontece depois da primeira ou segunda instância. Sem efetividade da lei, não há rule of law ou estado de direito.
da Redação

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