Arte, a eterna vítima dos tiranos, não deve jamais se submeter à política

A partir de 2002, quando o PT subiu ao poder, não há artista, em qualquer área, que não tenha sofrido caso não apoiasse essa verdadeira seita.

Foi meu caso, já que desde sempre me posicionei claramente contra o socialismo.

Desde que me conheço por gente, ensinado por meu pai, aprendi a lutar pelo que acredito.

E nunca tive vocação para o mutismo conveniente.

Lutei ativamente pela esquerda, nos tempos do regime militar.

Li Marx, Gramsci, Sartre, e outros, à exaustão.

Como muitos, fui cadastrado nos órgãos de repressão, como alguns sabem.

Em 2002, quando o sindicalista finalmente alcançou o poder, há muito eu havia percebido a grande farsa da utopia comunista e seus métodos ditatoriais e autoritários para dominar e transformar o mundo num inferno para muitos e num paraíso para uma pequena casta.

Justamente por ter estado dentro eu já não poderia acreditar nessa enorme mentira.

Paguei o preço, como muitos pagaram.

Fui excluído de galerias, deixado de lado por curadores, impedido de participar de eventos.

Trabalhei para grandes empresas como a Embraer que me cortou imediatamente assim que comecei a escrever o que escrevo hoje.

Isso é apenas passado, mas ilustra perfeitamente essa situação absurda que vivemos hoje, com essa enorme crise na cultura brasileira.

O infeliz discurso de Roberto Alvim, enquanto secretário da cultura, não permite a menor justificativa, e nem paliativos, como querem alguns, desconsolados.

Quem estudou um mínimo de história percebe ali, escancarado, não a simples inserção de uma frase infeliz, mas todo um discurso e todo um conceito que remete diretamente Goebbels.

E ao nazismo.

Ao som de Wagner, expressões como ‘perpetuação da arte nacionalista’ ou supremacia da ‘verdadeira arte’ não faltam.

Todo o discurso, enfim, é uma ode a um sistema odioso.

Isso é um fato que pode ser questionado por qualquer idiota, menos por quem tenha uma noção mesmo que miserável de história.

A parceria entre o nazismo e o socialismo é também conhecida pelos que estudaram.

Os métodos para impor suas ideologias são exatamente os mesmos, aplicados como descrevi acima em meu caso.

Como artista, eu jamais poderia concordar com qualquer imposição à arte, venha de onde vier, tenha a ideologia que tiver.

Ou, em última análise, por alguma espécie de revanchismo, descer ao fundo do poço onde estão os socialistas e aplicar o processo inverso, o de exclusão sumária de quem não se submete ou apoia o poder de plantão.

Isso significaria chafurdar exatamente no mesmo esgoto em que eles chafurdam, e de onde brotaram chicos, caetanos e fernandas.

Não.

A arte não deve se submeter à política.

Ou será uma arte morta, sem sentido, sem valor.

Como foram os caras pelados sendo tocados por crianças em palcos.

Como foram as mostras deprimentes do Queer Museum.

Como foi um idiota lobotomizado ralando estátua de santo em público.

Ou macaquinhos enfiando o dedo no cu do parceiro e chamando esse lixo de teatro.

Ou…

Não será fazendo o mesmo que fez a esquerda fascista - essa sim merece o nome - que construiremos por aqui algo decente em nome da arte.

Esse é o maior erro daqueles que defendem o radicalismo em qualquer área.

A arte, entretanto, nunca se submeteu às imundícies da política.

Ela transcende, e muito, a tudo isso.

*Os maiores assassinos do século XX: Hitler e Stalin assassinaram juntos no mínimo 20 milhões de pessoas, por pena de morte, trabalhos forçados ou outros motivos não relacionados diretamente à guerra.

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Marco Angeli Full

https://www.marcoangeli.com.br

Artista plástico, publicitário e diretor de criação.

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