Os “censores profissionais" da arte brasileira agora querem impor suas opiniões políticas

Há décadas, a produção cultural brasileira é classificada por uma "elite intelectual", que rotula o que é bom e o que não é.

Isso não surgiu no governo PT. Remonta, ainda, ao período militar. Naquela época, os mesmos que hoje juram ter combatido uma "ditadura", já determinavam os rumos da arte tupiniquim.

São eles, apenas eles, que dizem o que é "Música Popular Brasileira". E só entra no time quem rezar o Evangelho da Dona Canô. Na mente "brilhante" dos doutos musicistas, popular é Caetano, Chico e Gil, com suas letras desconexas e ingressos vendidos a centenas de Reais. Se não tiver discurso engajado e pedantismo intelectual, não pode participar do grupinho.

Com o tempo, realmente validaram as suas definições e, então, excluíram muita gente boa do "showbiz". O Brasileiro passou a ter vergonha de ouvir aqueles que não eram "aprovados", já que isso tornou-se sinônimo de ignorância.

A música sertaneja, por exemplo, durante muitos anos foi segregada, apesar de o Brasil ser um país de raízes rurais. O poder da mídia é tão grande, que fez com que os "caipiras" se envergonhassem de suas próprias histórias.

Só passamos a aceitar o "sertanejo" quando esse virou "ostentação"; quando o homem do campo deu espaço para o "agroboy", o cavalo virou Camaro e a roça foi trocada pelo camarote.

O mesmo vale para Amado Batista, Reginaldo Rossi, Odair José. São bregas e ponto. Onde já se viu, música popular agradar o povo? Absurdo.

Pra ser popular tem que aprender japonês em braile, deixar verbos abertos para conjugar, ou dançar pra ficar odara.

Falar de amor, em linguagem comum, compreensível, não é arte. Nas orgias da "torre de marfim", ninguém tem dor de corno.

Assim, criamos a cultura da anti-cultura. A arte, afinal, passou a negar a identidade do povo que deveria identificar.

Se Frank Sinatra tivesse nascido em terras tupiniquins, com suas letras românticas e apaixonadas, sem nenhuma politização, seria um Chico qualquer. Um cantor de "brega".

Estes "censores profissionais" da arte brasileira, que nunca admitiram nenhuma obra que não fosse as deles, agora querem impor suas opiniões políticas da mesma forma.

Passaram tanto tempo ditando o que o brasileiro deveria ouvir que, também, acham-se no direito de dizer como o brasileiro deve pensar.

Se Zélia Duncan acha um absurdo a declaração da ministra Damares, de que uma menina de 12 anos não está pronta para o sexo; ou se Daniela Mercury acha que 1 milhão de Reais (de dinheiro público) é uma quantia irrisória, quem somos nós pra discordar?

Pelo que acreditam, são eles os "pensadores" destas Índias de Cabral. E lhes apraz essa ilusão à toa.

"A opinião de um artista sobre política não importa merda alguma." (SPACEY, Kevin)

Felipe Fiamenghi

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