A cruel realidade sobre os empréstimos do BNDES para os países africanos e Cuba

Em tempos de crise no mercado interno de infraestrutura que se instaurou em 1998 (por ocasião do acordo do país com o FMI no governo FHC) e se acentua neste momento, é louvável o esforço das autoridades brasileiras em expandir as exportações de serviços de engenharia para o mercado da América Latina e a África.


Salutar, no entanto, minimizar os riscos de crédito utilizando os mecanismos do Convênio de Pagamento de Crédito Recíprocos – CCR, firmado em 25/08/1982, entre os Bancos Centrais dos países membros da ALADI. Por meio deste mecanismo há compensações quadrimestrais de pagamentos entre os créditos devidos entre os países relativamente às exportações de produtos e serviços, assegurando o pagamento das futuras prestações dos financiamentos firmados pelos países beneficiados com o BNDES.

Não se enquadram nesta situação a Guatemala, a Costa Rica e Cuba que obtiveram financiamentos no valor total de US$ 1,171 bilhão do BNDES-Exim.

As empresas construtoras beneficiadas foram a OAS, com US$ 44 milhões, para obra na Costa Rica, e a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) com US$ 1,127 bilhão, sendo US$ 847 milhões de obras em Cuba.

O maior esforço comercial e cuidado do governo do PT tem sido, no entanto, com os países africanos. Talvez sensibilizados e engajados na luta pela recuperação da infraestrutura da região que tanto sofreu com as lutas e guerras civis. Para apenas três deles foram destinados US$ 2,7 bilhões do BNDES-Exim.

Angola assinou contratos no valor global de US$ 2,05 bilhões!

Todos os contratos destinados a CNO. Para quem não se lembra, a empreiteira cujo maior acionista é o Marcelo Odebrecht que guarda à sete chaves os segredos que sabe sobre a Operação Lava-Jato.

É verdade que a Construtora Andrade Gutierrez virou mídia recente por ter assinado um contrato em Moçambique no valor de US$ 320 milhões. Tem outro de US$ 216 milhões em Gana. E outros menores em Angola; como também os tem a Queiroz Galvão e a Construtora Camargo Correa. Uma pequena colônia perante o império erigido por Marcelo Odebrecht.

A economia de Gana tem base agrícola e superávit de US$ 5 bilhões anuais; a de Moçambique é deficitária; a de Angola, apresentava superávit de US$ 15 bilhões anuais, quando o petróleo era cotado a US$ 65 por barril (o carro chefe de sua economia). Uma continha de vendedor de cachorro quente mostra que precisariam de dois séculos para pagar a dívida!

Lula, não precisamos de “embaixador” com esta qualidade e falta de cuidado com os interesses de longo prazo do povo brasileiro. Por favor, fique em casa!

Onde e como a ilha de Cuba vai arrumar US$ 847 milhões (mais juros) para reembolsar o BNDES-Exim? Doação dos ianques? Vendendo charutos ou açúcar pelo Porto de Mariel? Ora, Zé Dirceu, poderia ter nos poupado desta!

Mais uma distribuição de dividendos pra conta do Marcelo Odebrecht e parceiros e mais doações legais para a campanha presidencial!

Bingo! Em algum tempo futuro, o BNDES encaminhará uma Exposição de Motivos ao Ministério da Fazenda (MF) pedindo o perdão dos créditos podres destes países. O MF despachará com o Presidente da República de plantão e encaminhará uma detalhada Mensagem ao Senado Federal fazendo a reivindicação pela solidariedade aos nossos irmãos africanos e cubanos.

Vamos desculpá-los, não têm com o que nos pagar!

Ora, até eu já sei que isto vai acontecer. Vocês não estão vendo este cenário catastrófico? Ou sabem disto, no entanto, é a maneira fácil e rápida de receber contribuição oficial de campanha. Ainda que assim destruam as bases futuras da economia e da sociedade brasileira?

Será o que importa é gerarem alguns poucos empregos, deixarem mais ricos Marcelo Odebrecht e parceiros, ganharem a próxima eleição e o povo brasileiro que se lixe?

Elpidio Alves Pinheiro

Empresário, engenheiro civil e administrador de empresas, pós-graduado em Formação Holística de Base, terapeuta social pelo CIT e escritor do livro “Condenados a Amar ”


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da Redação

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