Queima de arquivo ou morte acidental?

Um dos advogados do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe da milícia “Escritório do Crime”, declarou que vai pedir investigação sobre a operação policial que resultou na morte do ex-capitão do Bope, morto no interior da Bahia quando estava hospedado numa fazenda de um vereador do PSL. Adriano temia ser morto como queima de arquivo.

Foragido há cerca de um ano, Adriano era acusado de participação em diversos homicídios, inclusive o da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes, em 2018.

Adriano estava sendo investigado pela Policia Civil do Rio de Janeiro e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público carioca.

Ele próprio dissera que mesmo que se entregasse seria assassinado, pois, depois que policiais cariocas apontaram armas para suas filhas de 17 e 7 anos (segundo declarou a mulher do foragido), de “nada adiantaria se entregar porque ninguém queria sua prisão, e sim sua morte”.

Segundo o especialista em milícias, José Cláudio Souza Alves, as condições em que ocorreram a morte de Adriano são “preocupantes” e “estranhas”, de modo que o objetivo, em vez de ser a captura do ex-capitão do Bope, era de fato sua eliminação, pois “Há muitos indícios de queima de arquivo.

Tem coisas inexplicáveis. Ele não estava numa área complexa, numa favela, num bunker com homens fortemente armados. Ele estava numa casa relativamente isolada, numa área rural no interior da Bahia. "Se quer capturar, faz-se o cerco, anuncia-se o cerco e espera, dissuadindo qualquer tipo de reação”, disse a jornalista Marilu Cabanas do Jornal do Brasil.

Mesmo assim, parece que Adriano deixou alguns rastros que podem alterar o rumo dos fatos, como, por exemplo, os treze celulares encontrados pela polícia. Se houver interesse em elucidar os fatos, material não falta para tanto. O problema é saber se alguém se interessa pela elucidação dos acontecimentos ou se o interesse é simplesmente abafar o caso.

Até lá, a tática de ligar Jair Bolsonaro ao “miliciano” caiu por terra. E para azar dos petistas e de seus aliados, Adriano foi morto justamente na Bahia.

Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

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