Por que a esquerda não estuda história e persiste em afundar na ignorância?

Se tem uma coisa que a esquerda aprecia avidamente, é passar vergonha, especialmente nas redes sociais.

Recentemente, Talíria Petrone, do Partido Socialismo e Liberdade, celebrou nas redes sociais os noventa e seis anos de falecimento do ditatorial revolucionário bolchevique Vladimir Lênin, enaltecendo-o como um dos grandes baluartes da revolução russa. Descrevendo em sucessão uma abominável quantidade de erros históricos grosseiros — que seriam de dar um choque anafilático em qualquer pessoa que tenha um conhecimento mínimo de história —, posteriormente ela tentou remendar a sua falta de conhecimento, afirmando que Lênin e Trotsky, outro revolucionário homicida, "cometeram erros", minimizando o que na verdade foi um genocídio.

Os bolcheviques nunca "cometeram erros", isso é no mínimo um reducionismo grosseiro.

Esses indivíduos malignos e beligerantes eram todos psicopatas cruéis, violentos e obstinados, obcecados pelo poder absoluto; e não graciosos e benévolos emissários do amor, guardiões da paz abnegados e altruístas, que lutavam arduamente por um mundo melhor, muito pelo contrário. A narrativa oficial difundida pela esquerda para endeusar demônios foge da realidade na mesma proporção que a sua ignorância colossal a respeito dos fatos.

Como se ignorância pouca fosse bobagem, a feminista Sâmia Bomfim, do mesmo partido, afirmou que "o socialismo é o futuro". Usando os mesmos argumentos genéricos de sempre, ela falou da suposta injustiça do sistema capitalista, retratando uma utopia que há mais de um século a esquerda tenta implantar, mas que termina sempre da mesma maneira, com campanhas de extermínio, genocídio, inanição, carnificinas famélicas e destruição econômica, para a infelicidade das nações e sociedades que tem o infortúnio de cair nas garras dessa gente torpe, ignorante e infantil, que vive em um mundinho de fantasias doce e colorido, demasiadamente afastado da realidade. Realmente, a esquerda gosta muito de passar vergonha.

A verdade, no entanto — que os militantes se recusam a ver porque são infantis demais para ver o mundo além de sua utopia infantil —, é que o socialismo nunca deu errado. Muito pelo contrário. Trata-se de uma plataforma para o poder político, um projeto totalitário de poder. Isso nos obriga a fazer a seguinte pergunta: por que socialistas não tem capacidade de compreender o socialismo por aquilo que ele realmente é?

Socialistas e comunistas, em primeiro lugar, estão sempre saturados de teoria, de conhecimento meramente teórico. Essa teoria ofusca completamente a capacidade dos militantes socialistas de compreender a realidade objetiva.

Como socialistas também não tem uma compreensão clara sobre as falhas, ingerências e deficiências da natureza humana, eles não conseguem ver os problemas que serão causados pelo socialismo, tanto a curto quanto longo prazo.

Militantes socialistas, infelizmente, não possuem inteligência ou discernimento para compreender as fraquezas da natureza humana, e os problemas que serão causados em consequência disso.

O socialismo, para funcionar, exige um estado radicalmente intervencionista. Isso significa que os políticos deverão ter muito poder. Pessoas em posição de poder invariavelmente se corrompem. Elas irão usar da sua posição para se locupletar e favorecer os amigos da esfera política — bem como os lobistas e os corporativistas de plantão que estiverem dispostos a comprar favores —, e não raro irão cometer abusos contra a população, sempre que esta se mostrar um obstáculo para os planos e objetivos da elite governamental.

Quanto a se locupletar do estado, a história da política venezuelana mostra muito bem como a cúpula chavista enriqueceu de forma absurda, com direito a contas bancárias bilionárias em paraísos fiscais na Europa, e o mesmo aconteceu aqui no Brasil, durante os anos em que o PT esteve no poder. A Operação Lava Jato inclusive nos mostrou a extensão da barbárie de todos os crimes cometidos pela seita petista.

Infelizmente, socialistas não tem essa capacidade de percepção com relação às falhas e deficiências da natureza humana. Eles acham que é só colocar políticos socialistas no poder, que o mundo automaticamente se tornará um paraíso. Os militantes não tem a percepção de que seres humanos em posição de poder serão corrompidos. Socialismo, para socialistas, é praticamente sinônimo de bondade. Basta um político se dizer socialista e pronto, provavelmente ele deve ser a melhor pessoa do mundo, e todos tem a obrigação de confiar nele.

Os militantes, portanto, acham que uma vez que políticos socialistas assumam o comando do estado, tudo vai ficar maravilhoso e resplandecente. Eles vão fazer uma distribuição de renda justa, vão acabar com a desigualdade — e é importante enfatizar que a desigualdade não é um problema, apenas socialistas pensam dessa maneira, eles tem esse transtorno obsessivo-compulsivo de achar que todas as pessoas devem ser iguais, ter as mesmas coisas, receber as mesmas coisas, possuir tudo na mesma quantidade, quando isso na verdade é uma fantasia; a pobreza é um problema, não a desigualdade — e pensam da mesma maneira que a miséria invariavelmente será extinta. Essas crenças, no entanto, são tão ingênuas quanto irrealistas.

A verdade é que políticos socialistas — uma vez que consigam dominar o estado — nunca mais deixarão o poder. Vão ter muita influência, fácil acesso a riquezas, e logicamente não vão querer abdicar disso.

O estado regulador vai concentrar riquezas, oriunda de tudo aquilo que foi roubado e confiscado da sociedade produtiva através de impostos, e os políticos vão dirigir a maior parte do espólio para eles próprios. Não é à toa que políticos socialistas acabam ficando sempre extremamente ricos. E o que não falta são exemplos nessa questão. As famílias de Hugo Chávez e Fidel Castro, os antigos ditadores da Venezuela e de Cuba, respectivamente, estão entre as famílias mais ricas do Caribe.

Alguns anos antes de morrer, a Forbes estimava que a fortuna de Fidel Castro estivesse avaliada em aproximadamente 900 milhões de dólares. O ditador cubano ficou ultrajado e ameaçou, na época — isso foi há mais de uma década, quando Fidel ainda era vivo, evidentemente — tomar ações legais contra a Forbes; porque parte da fantasia que girava em torno do falecido ditador cubano vem do fato de que ele tentava passar a imagem de "homem do povo", o que era uma falácia, arregimentada deliberadamente para manter o mito político sustentado pelo regime. Fidel inclusive não tinha origem proletária; ele era filho de um rico fazendeiro, produtor de cana de açúcar, e na sua juventude estudou nas melhores escolas e nas melhores universidades.

Infelizmente, socialistas não são capazes de entender que o socialismo é na verdade um grande projeto de poder; é uma doutrina política escravagista de poder e conquista.

É sobre um grupo de bandidos, uma gangue, que pretende tomar conta do estado, para enriquecer; o objetivo é escravizar a sociedade produtiva para viver uma vida de suntuoso luxo, conforto e abundância, às custas da população escrava.

É claro que políticos socialistas — quando eles usam a via democrática ao invés da via revolucionária para chegar ao poder —, proferem discursos lindos e maravilhosos para conquistar os seus eleitores. Os eleitores que aderem ao discurso viram militantes. Estes não raro viram fanáticos, que passam a idolatrar o político socialista que eles acham que vai solucionar todos os problemas da humanidade, sendo portanto, convertidos em idiotas úteis.

É interessante enfatizar que quando políticos socialistas usam a via democrática, eles dão um jeito de gradualmente transformar o seu país em uma ditadura socialista. Foi o que Hugo Chávez fez na Venezuela, e Daniel Ortega fez a mesma coisa na Nicarágua.

Aliás, a trajetória de Hugo Chávez é muito interessante. Ela exemplifica muito bem o modus operandi de políticos socialistas. Hugo Chavez tentou tomar o poder através de um golpe de estado em 1992, mas falhou. O seu fracasso o levou a pensar em novas estratégias para conquistar o poder. Como todo socialista, ele era um psicopata obcecado pelo poder. Foi aí que ele se deu conta: se ele tinha a democracia, por que fazer uma revolução?

Então Hugo Chávez se candidatou, venceu as eleições e se tornou presidente da Venezuela em 1999. Toda a plataforma política dele era altamente populista. Ou seja, era fria e simplória. Não convenceria nenhum ser humano inteligente. Ele colocava a culpa por todos os males do mundo no capitalismo, e a solução para todos os problemas estava no socialismo. Ele efetivamente dizia que o socialismo poderia produzir o paraíso na Terra. Então ele se tornou presidente da Venezuela em 1999, e gradualmente transformou o seu país em uma ditadura socialista. Ele nunca mais saiu do poder, apenas quando morreu, em 2013.

Essa é outra característica dos socialistas. Quando eles chegam ao poder, não saem mais. Apenas quando morrem, ou são removidos à força.

Vimos este cenário se repetir recentemente na Bolívia, com Evo Morales tentando se perpetuar no poder, e ir para um quarto mandato; além do quarto mandato ser inconstitucional, sua vitória nas urnas foi comprovadamente atribuída a um grande esquema fraudulento. Rechaçado do poder pelas forças armadas e por agências policiais que ficaram ao lado da população insurgente e revoltada com a audácia do ditador em potencial, Evo Morales não teve opções a não ser fugir, e felizmente a Bolívia escapou de tornar-se uma réplica da Venezuela.

Então Hugo Chávez se elegeu presidente em 1999, e se perpetuou no poder através de eleições fraudulentas, uma prática muito comum entre socialistas, que pretendem se tornar mandatários vitalícios. Para se manter como o líder máximo da nação, ele tomou uma série de medidas ostensivamente ditatoriais, como submeter completamente os poderes legislativo e judiciário ao executivo.

No ano de 2002, foi executada uma intervenção militar para retirá-lo do poder. Os militares, cumprindo a demanda popular, fizeram isso. Mas imediatamente, os amiguinhos políticos de Chávez fizeram de tudo para soltá-lo, incluindo o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. A comoção internacional que eclodiu em torno do acontecimento foi muito expressiva. Os venezuelanos foram acusados de golpe. Eles foram acusados de perpetrar um golpe de estado contra o ditador Hugo Chávez. Chávez acabou sendo solto — depois de menos de 48 horas preso —, foi conduzido novamente à sua posição de poder, e pouco tempo depois mandou fuzilar todos os militares envolvidos na intervenção responsável por sua deposição.

Ou seja, como todo socialista, Hugo Chavez era um indivíduo preocupado única e exclusivamente com o poder. Ele era um psicopata, o típico populista que fez uma carreira política explorando a miséria e o sofrimento da população ao máximo.

Em uma entrevista feita para a televisão antes de se tornar presidente, Chávez afirmou que ele estaria disposto a deixar o poder depois de dois anos, se ele não tivesse cumprido tudo aquilo que prometeu ao seu eleitorado; o que claro, em questão de pouco tempo mostrou ser uma descarada mentira.

Quem tentou, também, fazer do seu país uma ditadura socialista através da implantação de métodos gradualistas foi Salvador Allende, no Chile. Seu governo, no entanto, acabou sendo derrubado por uma intervenção militar bem sucedida.

É interessante notar como Fidel Castro contribuiu para difundir o socialismo por todo o continente. Ele também estendeu a doença do socialismo para a África. Assim como Fidel era um associado de Salvador Allende, e tentou influenciar este no caminho da ditadura do proletariado — o caminho que o Chile fatalmente tomaria, se os militares não tivessem deposto Allende —, muito tempo depois, Fidel tornou-se amigo de Hugo Chávez pelas mesmas razões.

No caso do Chile, Fidel perdeu sua chance de parasitar as riquezas do país porque os militares derrubaram Salvador Allende, e instauraram no país um governo de direita.

No caso da Venezuela, não. Fidel percebeu que poderia explorar a Venezuela, não apenas porque Hugo Chávez era um socialista ferrenho na mais clara acepção do termo, como também era burro. Fidel poderia, portanto, dissuadi-lo a ingressar em uma aliança, que acabaria sendo muito vantajosa para Cuba e para ele mesmo. Fidel Castro sempre foi excepcionamente argucioso e dissimulado. Desde o princípio, ele percebeu como poderia explorar a Venezuela, para seu próprio benefício. Desde que a União Soviética entrara em colapso, em 1991, Fidel estava desesperado por dinheiro e riquezas. Como todo parasita, ele percebeu ali uma grande oportunidade, ele viu que a vasta riqueza venezuelana poderia financiar a sua ditadura, e também a sua vida de luxo.

Então, em troca de serviços de consultoria política — Fidel iria ensinar ao Chávez como se perpetuar indefinidamente no poder — ele receberia um generoso pagamento, na forma de infindáveis quantidades de barris de petróleo.

A partir dessa época, milícias cubanas passaram a ficar permanentemente estacionadas na Venezuela. Nós podemos dizer que a Venezuela foi um projeto de sucesso de Fidel Castro. Ele fez na Venezuela o que não conseguiu fazer com o Chile. E parasitou também o Brasil da mesma maneira. Sabemos que o PT doou bilhões do BNDES para Cuba.

Infelizmente, militantes socialistas não tem essa capacidade de aprender história e analisar a natureza humana, que é saturada de falhas e deficiências. Indivíduos em posição de poder vão cometer toda a sorte de crimes e abusos. Especialmente em um regime socialista, onde um poder absoluto — além de uma quantidade imensurável de riquezas — ficam concentradas no estado. Será muita tentação para os burocratas que estão no poder.

Socialistas não tem capacidade de enxergar isso. São ingênuos demais para entender as falhas e deficiências da natureza humana. A verdade é que todos os regimes socialistas tiveram êxito. Eles escravizaram a população, exterminaram e assassinaram dissidentes, mataram milhares — em determinados casos, como foi na China maoísta, milhões — de pessoas de inanição, e permitiram ao tirano que estava no comando se perpetuar no poder, na maioria dos casos, até a morte.

Infelizmente, socialistas são incapazes de enxergar o socialismo por aquilo que ele realmente é: um sistema projetado para escravizar seres humanos, e fazê-los servir a tirânica aristocracia política que está no poder, atendendo a todas às suas exigências e caprichos.

Isso acontece porque socialistas leem muitos livros de teoria socialista, e acabam mergulhando nesse mundinho de fantasia utópica e infantil que lhes é apresentado. Então eles perdem completamente a capacidade de analisar e compreender a realidade.

Infelizmente, para piorar esse sentimento de alienação, eles não leem livros de história sobre regimes socialistas. Não foi só a União Soviética que foi uma ditadura socialista. Albânia, Romênia, Hungria, Bulgária, Tchecoslováquia, Zimbábue, Etiópia, Somália; 40 países, ao menos.

Como eles não estudam história, eles não conseguem perceber o padrão, que sempre se repete: escravidão, perda da liberdade, destruição da economia, escassez de alimentos, inanição, carnificina e genocídio famélico, entre outras catástrofes.

Quando nós abordamos o assunto com exemplos factuais de regimes socialistas, os militantes acham que isso aconteceu “porque o socialismo não foi bem aplicado, o socialismo deu errado porque não implantaram da maneira certa”. Eles não conseguem compreender que isso é o socialismo real. O objetivo é gerar desgraça. Mas para os militantes, o “verdadeiro” socialismo é aquela utopia que foi plantada na cabeça deles, em consequência da leitura dos livros de fantasia de Karl Marx.

Eles não conseguem entender o socialismo por aquilo que o socialismo realmente é: um projeto político de escravidão compulsória e genocídio.

Desde o primeiro regime socialista que foi implantado — a União Soviética, em 1917, através da revolução bolchevique — até os dias atuais, todos os regimes socialistas, o que inclui Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, sempre foram representativos do verdadeiro socialismo em seu grau máximo.

Apenas socialistas não enxergam isso. Porque não estudam história, não estudam economia — economicamente, o socialismo é irracional, Mises provou que o cálculo econômico é impossível no socialismo — e se recusam a entender padrões.

Ironicamente, as únicas pessoas que não conseguem entender o socialismo são os próprios socialistas.

Talíria Petrone e Sâmia Bomfim estão precisando urgentemente ler livros de história.

A melhor cura para a ignorância continua sendo o conhecimento.

(Texto de Wagner Hertzog)

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