Um povo de muitos olhos e rouca voz

A visão do cidadão comum sobre sua própria realidade

Muito se discute, aqui e acolá, a gravidade e o potencial nocivo e restritivo, a duração e consequências macro e microeconômicas da crise oriunda de quatro mandatos de desgoverno e desserviços à nação a que nos submetemos.

Curiosamente, observo que a amplitude entre as opiniões dos mais otimistas e a dos mais pessimistas é grande. Isto é, há quem pinte uma atmosfera próspera e tranquila – citando como indicador as praias lotadas, por exemplo - ao mesmo tempo em que outros veem claramente motivo para abandonar por tempo indeterminado seu país,afastando-se de suas raízes, família, cultura e tradições, afim de ter reconhecidos com o mínimo de dignidade e justiça os esforços que representam sua empresa e investimento.

Trago em mim a convicção de que todos os pontos de vista devem ser considerados e respeitados, que no campo das convicções a tentativa de convencimento de um a outrem pode configurar facilmente velada forma de violência. A imparcialidade na análise de qualquer contexto é essencial à própria credibilidade do estudo, validando-o. Cabe ao observador atento e justo o recurso valioso da ponderação.

Fato inegável é que quem vive de forma mais contundente (literalmente) as consequências práticas da má fé na gestão pública de um lado, e dos artifícios que caracterizam a tentativa das organizações privadas na manutenção da saúde financeira e sobrevivência no mercado, é o povo.

“A corda sempre arrebenta do lado mais fraco”, “O elo frágil da corrente é o primeiro que rompe”. Clichês, não é? Então. Uma expressão só ganha o status de clichê por ser repetida incontáveis vezes. Não, não é sua nuance poética ou seu caráter metafórico que lhe confere a classificação: é o fato de ser impregnado de incontestável verdade.

O povo campograndense é bem-humorado, dono de conduta ordeira e pacífica; é trabalhador e sensível. Entidade de finíssima pele, braços fortes, cheio de vontade e vigor, dono grandes olhos e boca miúda, da qual emana de forma quase inaudível, rouca voz sofrida e cansada. 

Esta é a figura que percebo, observando as queixas e o jogo de cintura da minha gente nos pontos de ônibus; no aperto crescente e humilhante dos carros lotados; na insegurança vigente em todos os lugares em que ando; na convivência com o medo e na capacidade de se refazer das agruras cotidianas, típica da própria Fênix.

Ainda há esperança, sempre haverá.

Enquanto houver em meio ao fogo sombrio da atmosfera incerta, entidades imparciais, sejam elas jurídicas ou físicas, ou o esforço comum caracterizado pela associação de ambos, sempre haverá esperança.

O Jornal da Cidade Online, ao abrir espaço para um cidadão comum da Capital Morena, dá potência àquela voz rouca e outrora quase inaudível.

Doravante serão publicadas aqui, toda sorte de descrições da realidade prática da vida do cidadão comum, reflexões que partem do ponto de vista daquele que quase nunca é considerado ou ouvido.

Este artigo, para que não restem dúvidas, é a apresentação de um cidadão que oferece serviço voluntário com o intuito da construção de mundo mais justo. Que quando nada, dá corpo àquela esperança citada acima. Escancara para os mais pessimistas a possibilidade de progressos em meio ao caos. Que com jogo de cintura, discussão, ponderação e debate, podemos reverter alguns aspectos da crise.

Este artigo é o primeiro de uma série que abordará temas pertinentes ao cotidiano do cidadão campograndense. O tema inaugural deste esforço jogará luz sobre transporte coletivo urbano, ao serviço prestado pelo Consórcio Guaicurús - com o aval da Prefeitura Municipal de Campo Grande.

João Henrique de Miranda Sá

Escritor e redator autônomo

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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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